"Mais do que especular sobre o que vai acontecer, procuro centrar-me naquilo que acontece. Na semana passada, os mercados reagiram com total normalidade à situação das finanças públicas portuguesas e hoje também - e aliás há boas razões para isso, porque Portugal tem uma opção política muito clara, que é virar a página da austeridade, cumprindo os compromissos nacionais de forma responsável, gradual e serena", declarou o líder do executivo.


"No projeto de Orçamento que esta semana entregaremos na Comissão Europeia deixaremos isso muito claro. Que não haja confusões entre o cumprimento dos nossos compromissos eleitorais e o cumprimento dos nossos compromissos internacionais, porque cumpriremos uns e outros", disse.


"Mesmo estando a acompanhar à distância, por telefone, com o senhor ministro das Finanças [Mário Centeno], a forma como estão a decorrer os contactos com os serviços da Comissão Europeia, é minha convicção que chegaremos sem dificuldade a um ponto de entendimento. A Europa também bem percebe que, após quatro anos de sacrifícios brutais de ajustamento em Portugal, isso custou muito à economia e às empresas portuguesas", sustentou.


"Felizmente, neste momento não está em causa o cumprimento de qualquer dos compromissos fundamentais, como a reposição de pensões, salários na administração pública e o início do fim da asfixia fiscal sobre a classe média - objetivos que serão compatibilizados ao nível da execução orçamental com as metas assumidas perante a União Europeia. O esforço acrescido de consolidação orçamental em 2016 será feito sem sacrificar os compromissos eleitorais e aqueles que estabelecemos com os nossos parceiros de viabilização do executivo", acrescentou.