A saúde financeira dos municípios tem aumentado nos últimos sete anos e, no ano passado, a dívida total das câmaras foi reduzida em 426 milhões de euros em relação ao ano anterior. É o que revela Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses.

O documento adianta também que os municípios pagam cada vez mais a horas, a menos de 90 dias. Em 2017, apenas 38 ultrapassaram este prazo, realçou Maria José Fernandes, uma das autoras do documento divulgado pela Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC).

Destacou, igualmente, "o baixo impacto das autarquias na dívida pública". Apenas três dezenas das 308 câmaras municipais excederam os limites da dívida total.

No global, os impostos diretos em 2017 são constituídos por: 50% receita IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), 30% IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis), 9% IUC (Imposto Único de Circulação) e 11% derrama, "tendo-se registado uma aumento global desta receita de 233,7 milhoes de euros".

No ano passado, os municípios diminuiram os valores arrecadados com o IMI, mas, por outro lado, aumentaram os valores conseguidos através do IMT e do IUC.

Quanto ao pagamento de compromissos, apenas 38 municípios pagam a mais de 90 dias "o que é uma melhoria significativa em relaçao a anos anteriores", sublinhou Pedro Camões, outros dos autores.

No ranking dos 100 melhores classificados, segundo os 11 indicadores analisados ao longo do Anuário, há municípios de todo o território e de diferentes dimensões.

A Marinha Grande (média dimensão) obteve a pontuação máxima e Sintra (grande dimensão) ficou em segundo lugar.

Entre as conclusões principais estão, de acordo com o estudo, outras já repetidas em anos anteriores: os municípios de pequena dimensão estão dependentes das transferências do Estado, que representa uma média de 62,1% da receita cobrada por estes, "o que representam evidentemente um valor muito alto".