O presidente da Associação Portuguesa de Bancos reconhece que “a imagem do sistema bancário continua muito por baixo”. Essas declarações surgiram num resumo, em pouco menos de um minuto, de mais de uma hora e meia de reunião com deputados do grupo parlamentar do PS, que está a preparar um pacote legislativo para a banca.

Não há dúvida que a imagem do sistema bancário continua muito por baixo. Os próprios bancos são os primeiros interessados em reforçar a sua relação de confiança com os clientes, criar um clima de verdadeira confiança com os clientes".

Faria de Oliveira não adiantou as propostas defendidas na reunião com os deputados socialistas. Descreveu a reunião como uma “troca de impressões” sobre um “conjunto de iniciativas” para o reforço do sistema bancário e da confiança dos cidadãos na banca, abalada por uma série de “casos” que envolveram bancos nos últimos anos, como o BPN e BES.

O setor bancário tem vivido anos conturbados, com o fim do Banco Espírito Santos, em 2014, e a criação do Novo Banco, o banco de transição que ficou com os ativos menos problemáticos do BES e que está em processo de venda.

Nos últimos cinco anos, a Assembleia da República já criou cinco comissões de inquérito, primeiro do Banco Português de Negócios (BPN), em 2012, depois, em 2015, a do Banif, do BES, a da Caixa Geral de Depósitos, em 2016, e, já este ano, vai ser uma aprovada uma segunda sobre a Caixa.

A supervisão do Banco de Portugal também está sob escrutínio, nomeadamente quanto à ação, ou falta dela, do governador no caso BES.