Depois de ter dito que a banca está a atrair investidores que não seriam os mais desejáveis , o presidente da Associação Portuguesa de Bancos vem agora conter a polémica e explicar que o menos relevante para o setor é a origem do investimento.

"Aquilo que eu referi foi que, para muitas pessoas, pode haver essa sensação. no entanto, aquilo que importa é a qualidade do acionista e não a sua nacionalidade. O que interessa é que os acionistas de referência assegurem solidez financeira, capacidade financeira, credibilidade e reputação inquestionáveis e capacidade de gestão"

Fernando Faria de Oliveira falava aos jornalistas à margem do Fórum Banca 2016, rejeitando ter duvidas quanto à qualidade do capital dos chineses da Fosun, empresa que no fim de semana comprou quase 17% do BCP por 175 milhões de euros.

É notório que a Fosun está a realizar no nosso país um conjunto de investimentos que têm corrido muito bem, quer na área seguradora, quer na área da saúde. A Fosun é uma empresa chinesa cuja credibilidade não tem sido posta em causa".

Uma opinião partilhada pelos restantes banqueiros. O presidente do BCP, Nuno Amado, concordou que Faria de Oliveira está “preocupado não com a nacionalidade, mas com a qualidade”. “E eu acho que ele tem razão", atirou.

O líder do Santander Totta, Vieira Monteiro, fez notar por sua vez que "o investimento estrangeiro é sempre bem vindo num país que necessita desse tipo de investimento, desde que esse investimento cumpra as regras e o modo de funcionar do nosso mercado".

Já o presidente do Novo Banco, que está em processo de venda com cinco interessados, realçou que “a largura da banda acionista que existe sobre a banca portuguesa é algo muito positivo”. António Ramalho também destacou que “poderíamos dizer que gostávamos de ter mais acionistas portugueses, mas as dificuldades de reajustamento recente dificultaram a atração de capital".

Dificuldades que o governador do Banco de Portugal considera que nasceram nos anos de supervisão de Vitor Constâncio

Nós estamos a enxaguar todos os problemas que geramos no período 2000 a 2010. Os reguladores são hoje os bombeiros dos pirómanos de outra época e os gestores são hoje os reparadores das situações criadas no passado. Temos que chamar as coisas como elas são e isto não se pode repetir".

Carlos Costa disse ainda, no início do seu discurso, que os bancos "estão melhores do que em 2011". Mais: "Contradizê-lo é uma ofensa" e quem o diz "não sabe do que fala"