O presidente da Associação do Alojamento Em Portugal (ALEP) pediu esta terça-feira ao Governo um reforço “emergente” de apoios às micro e pequenas empresas, porque precisam de “oxigénio” para resistir à “reta final” de uma “maratona dificílima” devido à covid-19.

Aquilo que é fundamental em termos práticos, no caso do turismo e do Alojamento Local, especificamente, é reforçar a verba da linha de crédito do Turismo de Portugal, voltar a reforçar as verbas do [Programa] Apoiar que acabou, e olhar para alternativas de apoio para os empresários em nome individual, sem contabilidade organizada”, declarou o presidente da ALEP, Eduardo Miranda.

Em entrevista à Lusa, a propósito da situação atual do Alojamento Local, Eduardo Miranda diz que está a haver “escassez de ajuda” para as micro e pequenas empresas e para os empresários em nome individual e sem contabilidade organizada, porque as medidas criadas no âmbito do Programa Apoiar “acabaram” e o “fundo do Turismo de Portugal também está a acabar”.

Não deitem a perder todo o trabalho que foi feito pelo próprio Governo, todo o esforço e sacrifício pelos empresários, pelos funcionários nos últimos meses, nesta reta final da crise”, apelou.

Eduardo Miranda disse que o setor precisa de “fôlego” e “oxigénio durante mais alguns meses”, para que se comece a realizar uma retoma gradual e depois os empresários, por si só, pela atividade, consigam começar a sua recuperação.

Estamos numa situação absolutamente crítica. São os últimos meses de uma maratona dificílima, onde as empresas fizeram um esforço enorme, onde o Estado fez um esforço enorme, e não podemos deixar que na reta final esse esforço seja em vão”, frisou.

 

Se não houver estes apoios nos próximos meses podemos estar a destruir aquilo que é a base de uma das industrias, uma das atividades mais importantes do país”, acrescentou.

O presidente da ALEP recorda que, no início da crise, houve uma “preocupação grande” com o turismo em “termos de fundos e de apoios”, mas que essa preocupação não se vê atualmente e os fundos apresentados mostram-se “claramente insuficientes".

Questionado pela Lusa sobre se considera que o setor do turismo e AL estão devidamente consagrados no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em consulta pública, Eduardo Miranda assume que “não está claro” e parece que é até um “certo tabu” falar em apostar no turismo.

É fundamental continuar a apostar na mudança estratégica do turismo de sustentabilidade, diferenciador. Portugal já estava a fazer esse caminho, mas é preciso consolidar. Portugal pode continuar a demarcar-se como um dos destinos mais diferenciadores ou de topo no turismo mundial”, defendeu.

O Programa Apoiar foi criado em 2020 e é um programa de subsídios a fundo perdido para as empresas (micro, pequenas e médias) dos setores mais afetados pelas restrições impostas em resposta à pandemia covid-19em Portugal. O apoio encontra-se dividido em duas modalidades, o Apoiar.pt e o Apoiar Restauração, sendo possível uma candidatura simultânea a estes dois apoios.

Ocupação no Alojamento Local no Porto nos 10%

A ocupação no Alojamento Local no Porto ronda este inverno os 10% e os poucos clientes são pessoas que podem trabalhar remotamente e escolhem Portugal para o fazer, disse esta terça-feira o presidente ALEP.

Nesta altura de inverno, as ocupações [na cidade do Porto] são na ordem dos 10% ou 12%. No limite, chega aos 14% nalgumas semanas, mas estamos a falar de ocupações baixíssimas, praticamente quase sem ocupação”, avançou.

A propósito da situação atual do Alojamento Local (AL) no Porto devido à pandemia de covid-19, Eduardo Miranda explica que os atuais clientes, “nacionais ou estrangeiros”, estão a preferir alojamento para “um, dois, três, quatro meses”, ou seja, optam por uma ocupação de média duração.

A tendência são nómadas digitais: empresários da área digital que podem viver em qualquer país e têm escolhido Portugal”, revela Eduardo Miranda, acrescentando que também têm aparecido pessoas que podem trabalhar remotamente em qualquer lado.

Há também um número residual de clientes nacionais que, por “alguma necessidade específica” precisam duma casa, seja por causa de obras, divórcio, ou colocação de professores em escolas.

Segundo o presidente da ALEP, o Porto está a “sofrer mais” do que Lisboa com a crise pandémica “nestes últimos meses”, precisamente porque o tipo de público do AL para média duração – nómadas digitais -, prefere ir para a capital.

O Porto, todavia, teve um “desempenho um pouco melhor do que Lisboa” no início da crise pandémica e no verão. A explicação mais “fácil e direta” que Eduardo Miranda elenca relaciona-se com o “ciclo dos surtos” do novo coronavírus.

Na fase do verão Lisboa foi um dos focos principais de surtos de covid-19 e o Porto ficou “um pouco salvaguardado”.

O facto de ter havido procura turística pelo interior na região Norte - Douro, Minho, Gerês -, também deu ao Porto “algum ganho marginal”, por ser a “porta de entrada” e o “elo de ligação com essas regiões”.

/ CE