Vários arguidos do caso «Face Oculta», entre os quais José Penedos e Armando Vara, vão declarar em tribunal esta semana, na instrução do processo, e dizem-se disponíveis para «desfazer equívocos» e esclarecer as defesas, o juiz e o Ministério Público.

O advogado de Armando Vara explicou à agência Lusa que o ex-administrador do BCP e antigo ministro «sempre se mostrou disponível para esclarecer em tribunal qualquer dúvida, desfazer equívocos e aquilatar a sua inocência».

Tiago Rodrigues Basto acrescentou que «há factos que constam da acusação sobre os quais Armando Vara não foi ouvido em fase de inquérito e outros que não ficaram suficientemente esclarecidos».

Ex-ministro acusado de três crimes de tráfico de influência

O ex-ministro está acusado de três crimes de tráfico de influência, sendo suspeito de ter recebido 25 mil euros do empresário Manuel Godinho, outro dos arguidos, para o favorecer nos negócios.

Segundo Tiago Rodrigues Bastos, «a intenção de Armando Vara é prestar todos os esclarecimentos e não se resguardar nos seus advogados».

«Há um ano que prestou esclarecimentos e nunca mais a acusação [Ministério Público] quis colocar qualquer questão e agora vê-se confrontado com uma série de situações que julgava estarem esclarecidas e pelos vistos não o terão sido», acrescentou.

Outro dos 36 arguidos do processo Face Oculta que pretende prestar declarações nesta fase de instrução é José Penedos, ex-presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais) e ex-secretário de Estado, acusado de dois crimes de corrupção e dois de participação económica em negócio.

Um dos seus advogados, Rui Patrício, explicou que quem requereu a audição de José Penedos foram outros dois arguidos da REN, Vítor Batista e Fernando Santos. «O juiz notificou-me do pedido e nós acedemos a prestar declarações», disse.

Audição de José Penedos terça-feira

A audição de José Penedos no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, está marcada para terça-feira. Segundo Rui Patrício, José Penedos está disponível para ser interrogado pelas defesas dos arguidos, pelo juiz e pelo Ministério Público.

«Irá lá e estará disponível para responder a todas as questões que lhe sejam colocadas. Não faço ideia do teor das mesmas», disse o Rui Patrício, que não esclareceu se interrogará também o seu cliente.

A audição dos arguidos começa na segunda-feira e os primeiros a prestarem declarações são Namércio Cunha, colaborador da empresa O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, acusado de associação criminosa e corrupção, e Hugo Godinho, sobrinho de Manuel Godinho, acusado de associação criminosa, corrupção, furto, burla e perturbação de arrematação.

A instrução é a fase processual que visa a comprovação por um juiz de instrução criminal da decisão do MP de acusar arguidos, competindo ao magistrado judicial levá-los ou não julgamento.

O Ministério Público acusou 36 arguidos (34 pessoas e duas empresas) de centenas de crimes, entre corrupção, furto, burla, tráfico de influência e associação criminosa no âmbito do chamado caso Face Oculta, que está relacionado com alegados casos de corrupção e outros crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, o único arguido em prisão preventiva.
Redação / CPS