O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusa o Governo de desonestidade ao lançar mais sacrifícios sobre os trabalhadores e os pensionistas, sem anunciar nenhuma medida de austeridade sobre o capital.

«Não houve nenhuma medida, das que foram anunciadas na sexta-feira pelo primeiro-ministro, que fosse para tocar no capital. O que se está a passar em Portugal é uma vigarice e uma vergonha. Não há honestidade por parte do Governo», disse Arménios Carlos em conferência de imprensa, citado pela Lusa.

O sindicalista, que falou aos jornalistas no final de uma reunião da comissão executiva da CGTP, considerou que as medidas de austeridade anunciadas por Passos Coelho, que atingem sobretudo os funcionários públicos, «são de uma violência nunca vista».

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na sexta-feira, numa declaração ao País, um pacote de medidas que vão poupar nas despesas do Estado 4,8 mil milhões de euros, até 2015, que inclui o aumento do horário de trabalho da função publica das 35 para as 40 horas, a redução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade da reforma sem penalizações para os 66 anos de idade, entre outras medidas.

Para Arménio Carlos as novas medidas de austeridade vão agravar a recessão económica, representam «insensibilidade social» e a «estigmatização social dos pensionistas e idosos».

Por isso, o líder da CGTP considerou que «o Governo não está interessado num diálogo político e social sério», apesar de o ter anunciado.

«Não são viáveis quaisquer consensos sociais face a um pacote que representa um ataque aos trabalhadores, à administração pública, à população, com uma nova ofensiva contra os serviços públicos», disse.

O sindicalista considerou ainda que «não é possível o consenso político e social quando, no espaço de dois dias, temos o primeiro-ministro e o ministro Paulo Portas a falarem publicamente de forma supostamente diferente para justificar o injustificável».

Arménio Carlos acusou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas de «taticismo e eleitoralismo» ao tentar demarcar-se da política de austeridade, pela qual também é responsável, enquanto membro do Governo.

«Perante uma crise politica, que é por demais evidente, o Presidente da República tem a obrigação constitucional de intervir. Não pode nem deve deixar aprofundar o sofrimento social e a economia degradar-se», disse, reafirmando a necessidade de eleições antecipadas.
Redação