O líder da CGTP, Arménio Carlos, disse esta terça-feira que a política social do Governo tem estado “adormecida”, pelo que o Executivo deve “refletir sobre o aumento da contestação social em Portugal”.

Tivemos a oportunidade de dizer ao primeiro-ministro [António Costa] que este é o momento para que o Governo possa refletir sobre o aumento da contestação social em Portugal”, afirmou aos jornalistas o dirigente da intersindical, no final da reunião da Concertação Social de preparação do Conselho Europeu que se realiza quinta e sexta-feira, em Bruxelas.

Para Arménio Carlos, o Governo devia “aproveitar este Conselho Europeu para defender os interesses do país”, nomeadamente dar resposta aos problemas dos trabalhadores e dar maior dimensão à política social.

“O Pilar Europeu dos Direitos Sociais não é mais nem menos que o parente pobre da União Europeia”, afirmou o líder da CGTP, sublinhando que a UE “continua a privilegiar a componente económica e financeira e a secundarizar a área social”.

“A estagnação ou falta de resposta do Governo a problemas dos trabalhadores (…) está a gerar descontentamento e a originar o aumento da contestação social”, pois a política social do Executivo “tem estado adormecida”, defendeu Arménio Carlos.

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que também esteve na reunião convocada pelo primeiro-ministro, admitiu que a preocupação da dimensão social existe “na própria UE”, sendo salientada por várias áreas e instâncias europeias.

É evidente que há uma distância entre as palavras e os factos, mas tem sido valorizada de forma muito insistente a importância da dimensão social do projeto europeu e por isso mesmo há uns meses foi aprovado o Pilar dos Direitos Sociais”, afirmou Vieira da Silva.

O ministro lembrou que o Pilar dos Direitos Sociais permitiu discutir questões importantes, como a criação de uma autoridade europeia para o trabalho ou uma recomendação para reforçar a proteção social de todos os trabalhadores.

Vieira da Silva defendeu que “existe uma agenda social” europeia, mas reconheceu que “seria excessivo dizer que ela está completa ou que é suficiente”.

Por sua vez, o presidente da Confederação do Comércio de Portugal (CCP), Vieira Lopes, disse aos jornalistas recear que a nova autoridade europeia para o trabalho se transforme num “monstro caríssimo, que vá definir um conjunto de regras e de burocracias que vão cair sobre as empresas”.

Vieira Lopes disse ainda estar preocupado com as tarifas impostas às importações do aço e alumínio pelos Estados Unidos, uma “guerra comercial”, que pode ter consequências para as exportações de vários países, entre os quais Portugal, acrescentou.