A Caixa Económica Montepio Geral teve lucros de 5,7 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, cerca de metade dos 11,1 milhões de euros registados entre janeiro e março de 2017, divulgou hoje o banco.

A instituição diz que, apesar do aumento das comissões líquidas (8,8% para 28,4 milhões de euros) e da redução dos custos operacionais (-3,8% para 64,4 milhões de euros), a “rentabilidade foi afetada negativamente pela queda de 11,2 milhões de euros na margem financeira [-15,8% para 59,9 milhões de euros], em parte determinada pela menor exposição a dívida pública”.

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral disse que não é importante o montante com que as instituições sociais entram no capital da Caixa Económica Montepio Geral, mas a participação na instituição financeira da economia social.

Neste projeto é menos importante o montante financeiro da participação do que nele participar (…). Independentemente do montante global da participação, o fundamental é a motivação de todas as instituições da economia social para participar”, afirmou Tomás Correia em conferência de imprensa.

O presidente da Mutualista considerou ainda que a polémica em torno dos investimentos no banco Montepio, nomeadamente da participação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, “não travou” a vontade de as instituições participarem.

E a prova é que, apesar da incompreensão que se gerou em torno deste projeto, nós estamos aqui e temos 50 instituições da economia social disponíveis para iniciar esta caminhada e muitas outras se juntarão”, afirmou.

Apesar de referir que depois desta primeira fase de entrada destas instituições, mais entidades poderão entrar até final do ano no capital do Montepio, Tomás Correia disse não ter a garantia de que que até dezembro seja alienada a parcela de 2% de capital do banco.

Para já, apesar de os responsáveis da Mutualista terem falado da entrada de 50 instituições, apenas são conhecidos os 75 mil euros da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cinco mil euros da União das Misericórdias e são falados 10 mil euros da Santa Casa da Misericórdia do Porto e poucos milhares de euros (entre 1.000 a 5.000 euros) de cada uma das outras instituições.

Ou seja, os investimentos significarão a venda de uma participação bem abaixo dos 2% de participação que a Associação Mutualista Montepio quer alienar do capital da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG).

Isto porque, tendo em conta que o capital social da CEMG são cerca de 2.400 milhões de euros e que cada ação é vendida ao valor nominal de um euro, a alienação de 2% do capital significaria um investimento de 48 milhões de euros.

Questionado sobre como se fará a participação destas instituições no governo da Caixa Económica Montepio Geral, Tomás Correia disse que “a participação destas instituições não será em função da sua participação”, mas que haverá tomadas de decisão de forma consensual.

Nunca haverá algo como ‘estamos em desacordo, mas eu tenho a maioria e vou decidir’. Não é assim, vai funcionar de forma consensual, quer tenham 12 ações ou dois milhões”, declarou.

Tomás Correia disse que haverá uma assembleia de representantes e um conselho estratégico onde serão consensualizadas as linhas orientadoras da Caixa Económica.

Já decidido está que a Caixa Económica Montepio Geral vai dedicar parte dos seus resultados a um fundo de capital de risco destinado a projetos inovadores da economia social, acrescentou.

Sobre se irá recandidatar-se a presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, nas eleições de final do ano, o gestor disse que ainda não decidiu e que só decidirá após conversas com associados.

Já questionado sobre como vê os contactos entre os seus opositores de outras eleições para formarem uma lista única às eleições, Tomás Correia foi irónico: “Adoro essas reuniões, adoro essas uniões de facto, tipo albergue espanhol, porque geralmente resultam muito bem, como sabem”.