O antigo presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, disse esta quinta-feira que o “BCP é um banco mentiroso”, durante uma audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Questionado pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, que disse que o BCP o acusava de "insolvência culposa", o empresário começou por dizer que “quem tem dívidas é a Ongoing”.

Os bancos pediam garantias e nós demos, acedemos a todas as solicitações a todos os credores”, salientou.

 

Se o BCP me acusa então o BCP é um banco mentiroso”, referiu, garantindo ainda que a história está “mal contada”.

“Eu tenho emails para o presidente [do BCP]", realçou, assegurando depois que deu “uma garantia pessoal, um aval pessoal de 10 milhões de euros para cobrir juros”.

“Muito mais tarde fui com o presidente do Banco Pactual, a pedido do presidente do BCP, para ir lá comprar a dívida” disse Nuno Vasconcellos, garantindo ter feito “uma oferta de 140 milhões de euros para compra de crédito que o Banco Pactual queria comprar” e que terá sido "recusada" pelo BCP.

Depois da falência da Ongoing chegamos a acordo e os créditos foram comprados por 80 milhões de euros, foram dois ativos que foram dados, que estão no balanço do BCP que aceitou”, salientou.  

A minha família "tinha ativos imobiliários que ficaram no BES”

O ex-presidente da Ongoing garantiu que foram prestadas garantias à dívida do BES e que “tinha ativos imobiliários” em nome da sua família que ficaram no banco.

Eu tinha ativos imobiliários em nome da minha família, que [os] entregou ao banco, como garantia, que não fazem parte do ativo da Ongoing” e que foram concedidos “como garantia de um aval pessoal”, estando, adiantou, avaliados em perto 10 milhões de euros e “que ficaram no BES”.

 

Dizem que eu só tinha uma mota de água”, ironizou, depois de listar vários ativos imobiliários.

 

A dívida foi provisionada, mas os ativos estavam lá”, referiu, adiantando que o grupo tinha “mais de mil milhões de euros em ativos, dos quais muitos imobiliários, não eram ativos intangíveis”, garantiu.

Vasconcellos garantiu que a dívida da Ongoing ao Novo Banco é de 520 milhões de euros e reforçou que havia “ativos e garantias que foram avaliadas”. 

Quanto ao destino desses ativos, disse que “provavelmente não foram vendidos da melhor forma”, criticando a atuação da administração do Novo Banco.

Na minha opinião o BES nunca se deveria ter tornado Novo Banco”, salientou ainda.

Nuno Vasconcellos foi ouvido na qualidade de grande devedor ao Novo Banco, numa audição de cerca de uma hora, que foi encerrada pelo presidente da Comissão, Fernando Negrão, que considerou que o ex-presidente da Ongoing se "recusa sistematicamente a admitir" que tem dívidas e responder a perguntas.

/ CE - Notícia atualizada às 19:25