Os títulos do BCP abriram a afundar cerca de 15% para 0,87 euros e fixaram um novo mínimo histórico. Segundo os analistas, citados pela Reuters, é o ajuste do título ao desconto do aumento de capital, de até 1.332 milhões de euros, anunciado ontem.

Em comunicado o BCP anunciou que o preço de subscrição das ações no âmbito do aumento de capital foi fixado em 0,094 euros por cada título, que compara com os 1,0412 euros por ação no fecho de ontem. Ou seja, o preço de subscrição representa um desconto de aproximadamente 38,6% face ao preço teórico ajustado ex-right [sem direitos associados].

O BCP pretende utilizar as receitas do aumento de capital para reembolsar integralmente o Estado. Está por reembolsar o montante de 700 milhões, na sequência do reembolso de 50 milhões em 30 de dezembro de 2016.

A chinesa Fosun já deu uma ordem para reforçar a sua posição para 30% dos atuais 16,7% que detém na instituição liderada por Nuno Amado.

"A emissão vai reforçar substancialmente a posição de capital (...) a emissão será fortemente diluitiva", disseram os analistas do Jefferies à Reuters, que cortaram o preço alvo para 1 euro, de 1,2 euros antes.

"Pontos de interrogação permanecem sobre questões do balanço (...) os níveis de cobertura do BCP continuam reduzidos", acrescentaram.

A pressionar Lisboa está ainda o setor da energia, com destaque para a Galp que derrapa 0,31% para 16,195 euros. No verde só mesmo Jerónimo Martins, Corticeira Amorim e Sonae Capital.

A descida do BCP fez disparar, em baixa, o PSI20 na abertura. O principal índice português cai agora 0,84% para 4.637,88 pontos num dia em que o vermelho também é a cor que predomina na Europa.

Os investidores aguardam com expectativa uma conferência de imprensa de Donald Trump, o presidente eleito dos Estado Unidos, de amanhã, em que se escrutinará a visão que o sucessor de Obama tem sobre o comércio internacional e a China. Numa altura em que a possibilidade de uma recuperação económica mais acelerada nos Estados Unidos está a exercer pressão sobre as dívidas soberanas na Europa, com os investidores a temerem que esta possa ser a deixa para o Banco Central Europeu deixar cair mais cedo os estímulos económicos.

Ontem, o ministro das Finanças, Mário Centeno disse, em entrevista à Reuters, que o recente aumento das yields da dívida soberana portuguesa - - taxa de rendibilidade de um título de dívida - ocorreu num contexto de riscos e incertezas na zona euro e baixa liquidez no mercado, mas será um movimento temporário pois os fundamentos da economia estão mais fortes. Centeno vê uma melhoria de ratings em 2017.