A dívida pública bruta alcançou 247,4 mil milhões de euros em abril. São mais 3,9 mil milhões de euros do um mês antes, em março. Em valor absoluto, está no nível mais alto desde, pelo menos, 2007, pelos registos do Banco de Portugal disponíveis online.

É importante termos presente a comparação desse valor face ao Produto Interno Bruto Português. Se no final do ano passado, em percentagem do PIB, a dívida pública bruta representava 130,4% do Produto Interno Bruto (PIB), dois anos antes chegou a ser de 130,6%.

Atentendo às estatísticas de abril, há um agravamento para os níveis máximos de 2014, precisamente com a dívida pública a representar 130,6% do PIB.

Qual a explicação? O Banco de Portugal precisa que este agravamento se deveu a "emissões líquidas de títulos de 3,5 mil milhões de euros" - emissões de dívida pública - e ainda a "um incremento das responsabilidades em numerário e depósitos" de 300 milhões de euros.

É preciso, no entanto, ter em conta que o ano de 2017 ainda não está fechado. Se o PIB continuar a crescer ao ritmo do primeiro trimestre (+2,8%), é possível que a dívida pública alivie em termos de percentagem do PIB. É preciso ter em conta esta relação entre a criação de riqueza face ao que se deve para determinar se há uma evolução ou um agravamento.

A diferença entre a dívida pública bruta e a líquida prende-se com esses depósitos que o Estado tem, a almofada financeira para fazer face a imprevistos.

Na comparação anual, face a abril de 2016, houve um aumento da dívida pública em 11.451 milhões de euros ou 4,85%, em termos relativos.

Também a dívida pública líquida de depósitos da administração central está em máximos. Aumentou 1,1 mil milhões de euros num mês, para 227,6 mil milhões de euros.

O banco de Portugal revela ainda que os ativos em depósitos da administração central aumentaram 2,8 mil milhões de euros. 

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