As estruturas sindicais da função pública vão voltar às negociações com o Governo daqui a uma semana, a 7 de dezembro, sexta-feira, após um mês e meio de interregno. Isto ainda esperança de ainda discutir aumentos salariais, apesar de o Orçamento do Estado estar aprovado. As três estruturas sindicais reivindicam aumentos salariais entre os 3% e os 4%.

O secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), José Abraão, disse à agência Lusa que receberam hoje uma convocatória do Ministério das Finanças para uma reunião naquele dia, com o objetivo de discutir questões relacionadas com a formação profissional e políticas de admissão na administração pública, entre outras matérias. O ministério ficou de enviar no início da próxima semana documentação sobre as matérias a discutir, acrescentou

Esperamos que na próxima reunião nos sejam dadas a conhecer as propostas de aumentos salariais e o conjunto de propostas aprovadas, no âmbito do Orçamento do Estado (OE) para 2019, que dizem respeito à administração pública, mas não foram negociadas com os sindicatos".

O sindicalista considerou positivo o regresso à negociação, apesar de o OE já estar aprovado.

A presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Maria Helena Rodrigues, declarou à Lusa que vai para a reunião com alguma expectativa, mas considerou o comportamento do Governo estranho. "Nós esperávamos que tivesse havido em tempo útil um processo negocial das matérias com repercussão orçamental. Agora já não há processo negocial. O comportamento do Governo é muito estranho, mas vamos ver o que dá a reunião".

A sindicalista criticou o facto de a maioria das matérias respeitantes aos trabalhadores da administração pública ter sido decidida no parlamento em vez de resultar de uma negociação entre empregador e trabalhadores.

Não é razoável que os trabalhadores da administração não possam negociar com o seu empregador as condições de trabalho e remuneratórias para o próximo ano".

A coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, ficou dececionada com o facto de os aumentos salariais não fazerem parte da ordem de trabalhos da reunião convocada pelo Ministério das Finanças.

É uma vergonha que os aumentos salariais não estejam previstos na agenda para a reunião da próxima semana, mas nós pretendemos discuti-los".

A última reunião negocial entre as estruturas sindicais da função pública e o Ministério das Finanças decorreu em 12 de outubro.