A empresa norte-americana de mobilidade elétrica Better Place, um projeto em colaboração com o construtor automóvel Renault para a troca de baterias nas estações de serviço, declarou-se no domingo formalmente na falência.

A declaração de falência da Better Place, empresa que há três anos manifestou interesse em entrar em Portugal, foi feita num tribunal de Telavive e deve-se à ausência de mais fundos e falta de recursos suficientes para continuar com a operação de serviços para veículos elétricos: pontos de carregamento e estações de serviço para troca imediata de baterias.

A Better Place pediu também a designação temporária de um responsável para liquidar as contas e a proteção de todos os direitos dos empregados, clientes e credores.

«É um dia muito triste para todos nós. Mantemos a visão original formulada por Shai Agassi de criar uma alternativa verde que diminuisse a nossa dependência da elevada poluição da tecnologia de transportes», mas embora a ideia seja possível de ser aplicada, «infelizmente o caminho para realizar essa visão foi difícil, complexa e cheia de obstáculos», refere a administração num comunicado na sua página eletrónica.

«Os desafios técnicos foram superados com sucesso, mas os outros obstáculos não, apesar do grande esforço e recursos que foram aplicados até ao fim», adianta.

Fundada em 2007 pelo empresário israelo-norte-americano Shai Agassi, que foi obrigado a abandonar o projeto em outrubro passado, a Better Place teve problemas com o cumprimento dos seus planos comerciais desde o início da atividade.

Durante este mês, a Better Place sofreu um duro golpe quando o presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn afirmou numa entrevista que a empresa iria reduzir a sua produção de veículos com baterias de troca, precisamente o conceito do projeto da norte-americana.

A empresa, com sede em Palo Alto, Califórnia, e o centro de operações perto de Telavive, onde apresentou ao público o seu projeto piloto em 2012, desenvolveu uma rede de carga e troca de baterias, implantada inicialmente em Israel e Dinamarca.

Em janeiro de 2010, em entrevista à Lusa, o fundador Shai Agassi tinha afirmado que a Better Place queria participar no projeto do carro elétrico em Portugal.

«Mantivemos reuniões com vários parceiros, empresas do sector em Portugal, mas todas as discussões foram, de alguma forma, atrasadas pelas decisões do Governo. Estamos todos à espera de ver qual será a eficácia do projecto anunciado», disse, na altura, Shai Agassi, então director executivo.