O ministro das Finanças deixou, este sábado, um aviso aos parceiros da esquerda: a reposição de rendimentos tem que ser feita de forma responsável para não pôr em causa os compromissos do país.

Uma advertência que surge no dia em que Catarina Martins anunciou o voto favorável por parte do Bloco de Esquerda, na generalidade, à proposta do Governo. E também depois de Jerónimo de Sousa ter deixado claro que vai tentar melhorar o diploma na especialidade e insistir no aumento de 10 euros para todas as pensões.

Ora, para o Governo pensões e sobretaxa são assuntos encerrados. Numa sessão com militantes do PS, Mário Centeno sinalizou haver pouca margem de manobra: "Tudo isto tem de ser feito de forma responsável e de forma a que a restrição orçamental co quem todos nos sabemos que nos confrontamos, seja cumprida".

Não fazer mais do que isso para não por em causa, num futuro próximo, essas decisões. É muito importante que todos compreendamos isso e o esforço que o Governo está a fazer".

As palavras do ministro com a pasta crítica das contas públicas fazem crer que o Orçamento não sofrerá grandes alterações no debate da especialidade.

"Temos um Orçamento que nos orgulha"

Na mesma conferência, Centeno destacou que o Orçamento cumpre todos os compromissos assumidos no programa de governo e as obrigações de Portugal perante a União Europeia: "Penso que temos um OE que nos orgulha, que cumpre todos os compromissos do programa de governo e no quadro europeu - eu não preciso de dar lições de europeísmo ao PS, que é, na sua génese, na sua formação, um partido europeísta que cumpre seguramente todos os compromissos".

Vamos, também aí, mostrar à Europa - se calhar até vamos cumprir melhor os compromissos do que outros países e pode ser que depois se entretenham com outros países e não connosco - que também vencemos essa adversidade de, perante o governo do Partido Socialista, tantos terem feito tantas apreciações e qualificações tão despropositadas, quanto aos propósitos do governo liderado pelo primeiro-ministro António Costa".

O ministro disse a esse propósito que o Orçamento foi construído para permitir o crescimento económico, o crescimento do emprego e a queda do desemprego, "dois dos indicadores mais relevantes para o Governo, que estavam no centro da nossa ação politica". "E é sempre bom ver como os resultados confirmam essa ação política".

"E a verdade é que as receitas das contribuições que todos nós fazemos, enquanto trabalhadores, para a Segurança Social, estão a crescer 5,1%. Isto quer dizer que a massa salarial que os trabalhadores portugueses recebem todos os meses está a crescer 5,1% em relação ao passado", rematou.

Redação / VC