A TAP atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história. Mergulhada na crise da aviação, provocada pela pandemia de covid-19, a companhia aérea, já intervencionada pelo Estado, luta para sobreviver, o que pode levar a práticas que colocam em causa os direitos dos trabalhadores e até a segurança dos passageiros.

Uma reportagem da TVI mostra uma denúncia de uma situação grave de pilotos que optam por voar doentes, algo ilegal por razões de segurança, mas que muitos se veem obrigados a fazer, com medo de serem despedidos.

Com efeito, a TAP estará a despedir pilotos com base na apresentação de baixas médicas, que são faltas justificadas e até obrigatórias, por razões de segurança.

Essas mesmas baixas devem ser passadas por médicos da TAP, mas ao mesmo tempo estão a servir como critério para selecionar os pilotos a dispensar.

TVI falou com Rodrigo (nome fictício), piloto da TAP que denuncia uma situação grave a ocorrer na companhia aérea.

Tenho conhecimento de pilotos que estão a voar doentes e sem condições de garantirem a segurança do voo", afirma, falando num "procedimento gravíssimo".

Até agora foram 206 os pilotos que aceitaram rescindir contrato, e o plano de reestruturação prevê cortar ainda mais 35 destes postos. Agora, os profissionais começam a descobrir que o número de baixas médicas é um critério que acelera a saída para o desemprego.

Todos os pilotos estão nessas circunstâncias. Se estiverem doentes, ou voam doentes, ou arriscam-se a serem despedidos numa nova vaga de despedimentos", diz Rodrigo.

Assim confirma Emanuel Carreiro, piloto que apresentou queixa contra a TAP, e que não tem dúvidas: "Temos vários exemplos de pessoas que foram apanhadas por terem tido uma constipação ou problema nos ouvidos e que foram penalizadas pelas baixas obrigatórias. Esta perseguição é ilegal".

Em reação a esta reportagem da TVI, a TAP assegura que a identificação de trabalhadores para o despedimento coletivo foi feita "com base num modelo multi-critério, assente em parâmetros objetivos e não discriminatórios".

As baixas por doença, "em particular a repetição das mesmas", segundo a TAP, servem de ponderação do absentismo e produtividade e, no final, podem levar a que os trabalhadores sejam identificados, "por comparação a outros melhor pontuados".

A TAP diz ainda que as baixas por acidente de trabalho ou as licenças de maternidade ou paternidade não foram consideradas para esta questão.

Fernanda Teixeira / - notícia atualizada