Foram capturadas 124,264 toneladas de peixe pela frota nacional no ano passado, o nível mais baixa em 48 anos, quando se iniciou a série estatística. Apesar disso, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o preço unitário alcançou valores inéditos.

A propósito do dia nacional do pescador, o INE informou informou que o pescado recolhido em 2016 diminuiu 11,8% em relação a 2015, enquanto houve uma subida de 15,9% no preço médio e o valor unitário “ascendeu a 2,10 euros por quilograma, o maior desde que existem registos estatísticos disponíveis”.

As receitas na lota subiram 3,3%. O défice da balança comercial dos produtos da pesca se agravou em 69 milhões de euros, totalizando 787,4 milhões de euros, o que correspondeu a um aumento de 9,7% face a 2015.

A diminuição da quantidade de pescado resultou de uma diminuição de capturas no continente e nos Açores, sobretudo de peixes marinhos como a cavala (-39,7%) e atuns (-25,9%).

Para a redução das capturas de cavala não terá sido alheia a cessação temporária da atividade da frota do cerco, aliada à orientação para a captura de espécies mais valorizadas, como por exemplo o biqueirão”.

O INE explica que a queda na captura de atum “está diretamente relacionada com as características migratórias deste recurso”.

Quanto à subida do preço médio, o INE avançou como explicações a “valorização significativa de espécies habitualmente mais capturadas” e o “reforço na estrutura do pescado descarregado de espécies com maior valor comercial".

Nas importações, o grupo dos “peixes congelados” continuou a representar a maior parcela (22,4% do total), tendo em valor aumentado 3,6%, comparativamente a 2015, enquanto “peixes secos, salgados, fumados” continuaram a representar o maior saldo negativo em 2016, com 292,9 milhões de euros de défice (+15,2% comparativamente a 2015).

“Como habitualmente, apenas o saldo das ‘preparações, conservas de peixe e preparações de ovas de peixe’ foi favorável a Portugal em 2016, correspondendo a um excedente de 68 milhões de euros (-1,4 milhões de euros, face a 2015)”.

De 2015 para 2016 houve mais 0,6% de pescadores matriculados, totalizando 17.285, já o número de embarcações diminui 0,9% (7.980) e o de embarcações licenciadas desceu 2,7% (4.075).