O ministro do Ambiente garante que se consolida este domingo a "normalidade" na distribuição dos combustíveis apesar da greve do sindicato dos motoristas de matérias perigosas, acrescentando que a utilização das equipas das Forças Armadas tem vindo a diminuir porque há menos trabalhadores em greve.

O governante fez ainda um apelo para o fim da paralisação e diz que, para já, não há qualquer reunião marcada com sindicato e ANTRAM, mas frisou que se a greve for desconvocada este domingo o Governo está pronto para reunir "já amanhã". À TVI, a ANTRAM disse que não se reunirá com o sindicato antes do plenário dos trabalhadores.

Num briefing para fazer um balanço da situação ao sétimo dia de greve, Matos Fernandes diz que os serviços mínimos foram ultrapassados e cumpridos a 123%. De acordo com o governante, no sábado “estavam previstos 256 transportes de combustível e foram executados 315”.

Este domingo, dia em que é feito apenas abastecimento de combustível aos aeroportos, em Faro tinham sido feitas 10 das 28 viagens previstas e no aeroporto de Lisboa tinham sido feitas 60% das viagens previstas, número muito superior ao de sábado ao final da manhã, frisou o ministro. 

Matos Fernandes acrescentou ainda que as duas refinarias, de Sines e Leça da Palmeira, estão também "em prontidão" para satisfazer qualquer abastecimento necessário a um posto de combustível em rutura, sendo que nesta altura houve apenas um pedido nesse sentido.  

Segundo o ministro, este domingo há três equipas de militares  a fazer transporte de combustíveis da CLC de Aveiras de Cima para o aeroporto de Lisboa, substituindo estas equipas três trabalhadores que se ausentaram por baixa médica, e que há mais seis equipas em prontidão caso os motoristas não se apresentem ao trabalho esta tarde devido ao plenário do sindicato, marcado para as 16:00. 

Matos Fernandes disse ainda que de sábado para domingo os 'stocks' de gasóleo e gasolina nos postos de combustíveis variaram muito pouco, porque ao domingo não se faz transporte de combustível, e concluiu com um apelo para que haja um "entendimento" entre sindicato e ANTRAM que permita que a greve chegue ao fim.

Quanto à possibilidade do fim da greve, Matos Fernandes considerou “um bom sinal” o comunicado da Antram de sábado, a disponibilizar-se para integrar um processo de mediação junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.

[O comunicado] deixa uma claríssima capacidade para negociar” com o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), o único que se mantêm em greve, observou.

Sentimos que existem todas condições para que o único sindicato que se mantém em greve se sente à mesa para negociar”, acrescentou.

Já no período de perguntas e respostas dos jornalistas, o ministro do Ambiente revelou que não existe ainda qualquer reunião marcada entre Governo, sindicato e ANTRAM, frisando que esse encontro poderá realizar-se "já amanhã" se a greve for desconvocada no plenário deste domingo e que essa é a expectativa do Executivo.

A greve dos motoristas de matérias perigosas entrou hoje no sétimo dia, com as atenções voltadas para um plenário de trabalhadores, que decorrerá esta tarde e que deverá decidir sobre a continuidade da paralisação.

O plenário decorre hoje, pelas 16:00, em Aveiras de Cima (Lisboa), depois de ter falhado um acordo mediado pelo Governo numa reunião que durou cerca de 10 horas e que terminou na madrugada de sábado.

No sábado, a associação das empresas de transportes de mercadorias (Antram) disponibilizou-se para integrar um processo de mediação junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, afirmando ser convicção da “associação que um processo de mediação, realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema”.

De seguida, o porta-voz do sindicato de motoristas de matérias perigosas, Pedro Pardal Henriques, disse ver com agrado a disponibilidade da associação, mas ressalvou ser necessário que a base de entendimento já debatida seja aceite.

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) divulgou mesmo um comunicado no qual apelou à Antram para aceitar a proposta de compromisso que o Governo articulou com aquela força sindical, abrindo “caminho para a paz duradoura”.

No comunicado, o SNMMP refere que o Governo deverá utilizar “as ferramentas que ainda tem ao seu dispor para chamar à razão a Antram”, fazendo “chegar uma proposta que cumpra mínimos de dignidade, por forma a ser apresentada aos motoristas de matérias perigosas” no plenário desta tarde.

A greve começou na segunda-feira, 12 de agosto, por tempo indeterminado, para reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A paralisação foi inicialmente convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM), mas este último desconvocou o protesto na quinta-feira à noite, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo.

No final do primeiro dia de greve, o Governo decretou uma requisição civil, parcial e gradual, alegando incumprimento dos serviços mínimos que tinha determinado.

No sábado ao final do dia, o Ministério do Ambiente e Transição Energética disse que a requisição civil foi cumprida e os serviços mínimos “superados”, com o último balanço a demonstrar "uma crescente normalidade da situação".