O setor bancário em Portugal teve, no ano passado, lucros de 1.300 milhões de euros, contra perdas de 228 milhões registadas em 2017, revelam dados da Federação Europeia de Bancos.

De acordo com a informação divulgada na quarta-feira pela Federação Europeia de Bancos (EBF, sigla em inglês), a justificar esta variação nos resultados está, “em grande parte, a redução substancial das imparidades [provisões para eventuais perdas]”.

Em 2018, segundo a EBF, registaram-se também em Portugal melhorias ao nível do crédito malparado (os chamados NPLs - non performing loans).

Nesse ano, verificou-se, assim, uma queda em 24,6 mil milhões de euros nos NPLs em comparação com o maior pico, de junho de 2016.

De acordo com a EBF, o rácio dos NPLs passou de 17,9% em junho de 2016 para 9,4% no final do ano passado, tendo ainda aumentado o nível de cobertura para estes empréstimos (de 43,2% para 51,9%).

Para esta alteração contribuíram “estratégias ambiciosas implementadas [pelos bancos] para reduzir os NPLs”, aponta a EBF na informação divulgada e para a qual contou com a colaboração da Associação Portuguesa de Bancos (que integra a federação).

Segundo a mesma informação, como principal fonte de financiamento dos bancos em Portugal continuou a estar, no ano passado, os depósitos dos clientes, que subiram 3,3% em 2018 face a 2017 e passaram a representar 73,8% dos recursos (no ano anterior equivaliam a 72,3%).

Já o total de empréstimos registou uma descida de 0,6% no ano passado, face ao anterior.

Assim, enquanto os empréstimos às empresas não financeiras (a maioria das quais de pequena e média dimensão) baixaram 4,8% para um total de 69,6 mil milhões de crédito, os empréstimos às famílias aumentaram 0,5%.

Dentro destes empréstimos às famílias, o crédito ao consumo subiu 10,5% e o crédito à habitação desceu 0,2%.

No documento relativo ao setor bancário português, a EBF assinala ainda que “a transformação digital é uma prioridade para os bancos portugueses e um forte progresso foi já alcançado pelo setor”.

Assim, de uma percentagem de 38% registada em 2010 na utilização dos serviços bancários através da internet passou-se para 52% em 2018.

Além disso, “57% dos clientes de serviços bancários na internet usam redes móveis e 65,3% das contas correntes têm acesso online”, precisa a EBF.

A federação adianta que, no ano passado em Portugal, “o número de cartões de pagamento emitidos totalizou 21,7 milhões e o valor de compras ‘online’ representou 5,7% das compras de cartões”.

A EBF agrega 32 associações bancárias nacionais na Europa – entre as quais a Associação Portuguesa de Bancos – que, ao todo, representam cerca de 3.500 bancos europeus, num total de quase dois milhões de funcionários.

Número de instituições de crédito na UE cai quase um terço desde crise de 2008

A EBF revelou ainda que o número de instituições de crédito na União Europeia (UE) caiu, em 2018, para 6.088, uma queda de 2,6% face a 2017 e de 29% relativamente a 2008, início da crise no setor.

Dados divulgados mostram que, no final do ano passado, existiam menos 2.437 instituições financeiras na UE do que em 2008.

Ainda assim, segundo a EBF, que está sediada em Bruxelas, “o declínio do ano passado foi menor do que nos últimos anos, sendo mais significativo na Alemanha , Itália, Áustria e Irlanda”.

Em Portugal, no final de 2018, registavam-se 150 instituições bancárias, das quais 60 eram bancos (incluindo 30 agências de bancos estrangeiros), 86 eram bancos de crédito agrícola mútuo e quatro bancos de poupança.

No que toca ao número total de agências bancárias na UE, caiu 5,6% no final do ano passado face ao período homólogo do ano anterior para 174 mil.

Já em comparação com 2008, o número total de agências bancárias caiu 27%, representando uma redução de 65 mil agências, o que a EBF justifica com a “crescente utilização dos serviços bancários online e móveis nos últimos anos”.

Segundo os dados desta entidade, mais de metade dos clientes bancários (54%) na UE usavam, em 2018, serviços do banco na internet, uma subida de três pontos percentuais face a 2017 e quase o dobro do registado em 2008.

“A visão geral da EBF mostra que os bancos, no ano passado, continuaram a reduzir a sua presença física em toda a Europa”, assinala a federação em nota de imprensa, observando que, para as instituições financeiras, “tornou-se menos importante ter uma ampla rede de agências” porque “os clientes interagem cada vez mais com os bancos por meio de canais digitais”.

No que toca ao número de funcionários, também se tem assistindo a uma redução na UE.

Em 2018, este número “caiu para o nível mais baixo desde que o BCE [Banco Central Europeu] começou a medi-lo, em 1997, e situava-se em aproximadamente 2,67 milhões de pessoas”, precisa a Federação Europeia de Bancos.

Este número compara com um total de 2,74 milhões funcionários no final de 2017 e de 3,26 milhões em 2008.

Em Portugal, no final do ano passado, o setor bancário empregava 50.819 pessoas, o que representava 1% da população ativa no país, de acordo com a EBF.

Em sentido inverso, de subida, têm estado os depósitos das empresas (não financeiras) e das famílias, que subiram 4% face ao ano anterior, sendo que este aumento foi maior no caso das companhias.

Também a aumentar tem estado o valor dos empréstimos às famílias, que aumentou 2,5% em 2018 relativamente a 2017.

Desde 2014, o valor destes empréstimos aumentou em cerca de 500 mil milhões de euros, indica a federação.

A EBF agrega 32 associações bancárias nacionais na Europa – entre as quais a Associação Portuguesa de Bancos – que, ao todo, representam cerca de 3.500 bancos europeus, num total de quase dois milhões de funcionários.