A Caixa Geral de Depósitos (CGD) obteve lucros de 640,9 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, mais 73,5% do que nos mesmos nove meses de 2018, anunciou esta sexta-feira o banco público.

Segundo a CGD, entre janeiro e setembro, do resultado líquido consolidado apresentado, 481,4 milhões de euros são referentes a resultado da atividade corrente e os restantes 159 milhões de euros do impacto relativo à venda de operações no estrangeiro (Espanha e África do Sul), por reversão parcial de imparidades.

A contrapartida para o Estado

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, afirmou em conferência de imprensa que a distribuição de 250 milhões de euros em dividendos ao Estado no final do ano é um cenário "plausível".

Se quiser uma resposta, é plausível", respondeu Paulo Macedo, quando questionado se 250 milhões de euros era um montante plausível em termos de dividendos a distribuir ao Estado, acionista único do banco, no final do ano.

Paulo Macedo lembrou que o banco público "aprovou uma política de dividendos", em que a Caixa "deverá pagar ao acionista desde que cumpridos 10 requisitos", sendo que "este ano há uma diferença relativamente aos 10 do ano passado".

No ano passado tinha que haver uma autorização prévia do BCE [Banco Central Europeu], e agora uma não oposição do BCE", algo que para o líder do banco público reflete a melhoria no cumprimento do plano de reestruturação acordado com as instituições europeias, nomeadamente a Direção-Geral de Concorrência (DGComp) da Comissão Europeia.

 

Quando a Caixa paga dividendos, e bem, para devolver dinheiro aos contribuintes, é preciso que também haja aprovação do Conselho de Administração e que estes valores não ponham em causa os próprios valores que estamos obrigados a cumprir", nomeadamente em requisitos mínimos de capital, afirmou o presidente executivo da CGD, na conferência de imprensa, em Lisboa.

 

Como alguém disse, pode-se fazer as contas e ver no que é que dá", disse Paulo Macedo, referindo-se à política de dividendos do banco público, acrescentando posteriormente que "é plausível" que o retorno ao acionista Estado supere os 250 milhões de euros em 2019.

Em 31 de maio, a assembleia-geral da CGD aprovou a entrega de 200 milhões de euros em dividendos ao Estado relativos ao exercício de 2018, sendo a primeira vez que o banco pagou dividendos desde 2010.

Aumento de lucros e redução de pessoal

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu 254 trabalhadores desde o início do ano, segundo as contas dos primeiros nove meses do ano.

Segundo as contas até setembro, o grupo CGD tinha na atividade em Portugal 7.421 funcionários, o que compara com os 7.675 que tinha em final de 2018.

A CGD tem estado num processo de redução de trabalhadores desde que foi recapitalizada e negociou o plano de reestruturação com a Comissão Europeia.

Em maio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que em termos líquidos (saídas-contratações) a expetativa para este ano é que saiam cerca de 570 pessoas (entre pré-reformas, rescisões por mútuo acordo e não renovação de contratos a termo).

Quanto a agências, a CGD tinha 510 em setembro em Portugal, menos 12 do que em dezembro passado.

A CGD divulgou hoje que obteve lucros de 640,9 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, mais 73,5% do que nos mesmos nove meses de 2018.