O banco liderado pelo português António Horta Osório parece estar a passar ao lado dos efeitos do impacto do Brexit na economia do Reino Unido, em particular, o efeito esperado na banca.

A instituição financeira anunciou o lucro mais elevado de uma década, depois do resgate decorrente da crise financeira de 2008. O resultado líquido subiu 1% para 2.930 milhões de libras (3.445 milhões de euros), refere a Bloomberg. Acima das expetativas dos analistas e que fez disparar as ações em 3,6% para 69.84 pences esta manhã. É que ao apresentar estes resultados, o Lloyds, que é o um dos mais expostos entre os principais bancos britânicos a qualquer desaceleração da economia, continua a baralhar as expectativas face ao efeito da saída do país da União Europeia.

O nosso desempenho está intimamente ligado à saúde da economia do Reino Unido que tem sido mais resistente do que o esperado pelo mercado após o referendo", disse o banco num comunicado.

Ainda a pagar pelo escândalo dos seguros

O lucro do Lloyds foi impulsionado pelo menor volume de provisões para compensar os clientes na sequência do escândalo dos seguros, após o banco, no ano passado, ter reservado, o que espera será o valor final, 1.000 milhões de libras (1.176 milhões de euros) de provisões. Até agora, o banco "reservou" 17.000 milhões de libras (19.992 milhões de euros) para pagar aos clientes os custos do seguro.

O caso, que envolveu vários bancos, explodiu nos anos 2000, quando as autoridades descobriram que os PPI - Seguros de Proteção de Pagamento- incluíam cláusulas ocultas que faziam com que o cliente não beneficiasse do seguro no momento de necessidade. Também foram vendidos seguros sem o consentimento de várias pessoas e alguns clientes pagavam a quantia sem ter conhecimento. Uma decisão judicial de 2011 fez com que os vendedores dos PPI fossem obrigados a pagar indenizações aos consumidores afetados e as denúncias, desde então, não pararam de aumentar.

Apesar dos lucros agora registados, as receitas totais do Lloyds ficaram ligeiramente abaixo das do ano passado e houve um aumento de 14% do custo com o malparado, num aviso antecipado que alguns clientes poderiam estar a lutar para lidar com a incerteza económica pós-Brexit.

O banco disse ainda que a margem financeira - uma medida chave de desempenho - cresceu para 2,71% no período. E que pretende pagar um dividendo total de 3,05 pence, um aumento de 11 por cento face ao ano passado.

A participação do governo no Lloyds caiu agora para menos de 5%. O que significa que, ao ritmo atual a que o Governo está a vender a sua participação, o banco dever ser totalmente devolvido à propriedade privada em maio, diz a Reuters.

/ ALM