O presidente executivo indigitado do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, classificou hoje os lucros de 42,6 milhões de euros como um resultado bom, dada a conjuntura económica associada à pandemia de Covid-19.

Quando refiro que os resultados são bons, é preciso pôr em contexto que quando esta crise começou, o nível de incerteza era muito grande, e o impacto do mundo onde nós temos taxas de juro negativas, uma enorme pressão nas comissões e um abrandamento da atividade como não tínhamos antes, era expectável que os resultados fossem piores", disse João Pedro Oliveira e Costa na conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O sucessor de Pablo Forero sustentou a sua argumentação com o facto de que "o banco aumenta a margem financeira, os depósitos, o crédito, ou seja, aumenta o volume de negócio, e ganha quota nos negócios principais onde está".

"Eu tenho que sentir que os resultados, no contexto atual, são bons", disse o presidente executivo indigitado do BPI, que admitiu, porém, que "gostaria que fossem muito melhores" se não fosse o surgimento da pandemia de Covid-19.

O BPI teve lucros de 42,6 milhões de euros no primeiro semestre, menos 68% do que no mesmo período do ano passado, tendo registado 83 milhões de euros em imparidades, divulgou hoje o banco em comunicado ao mercado.

As imparidades criadas entre janeiro e junho foram de "caráter preventivo", segundo o banco detido pelo grupo espanhol Caixabank, relacionadas com a crise económica desencadeada pela covid-19.

Na atividade em Portugal, o lucro foi de 6,5 milhões de euros, menos 92,6% face a período homólogo.

Banco rejeita "folha de Excel" para lidar com trabalhadores e cortes "só porque sim" 

O presidente executivo rejeitou  tratar os trabalhadores como "folhas de Excel" e fazer cortes "só porque sim", quando questionado sobre a possibilidade do banco reduzir a sua estrutura de pessoal.

"Será algo que vamos analisando, agora... não funcionamos com folhas de Excel quando se trata de pessoas", referiu ainda João Pedro Oliveira e Costa quando questionado sobre o possíveis cortes na estrutura do banco.

O responsável do BPI considerou que "a possibilidade do banco poder ser mais ágil a nível dos custos terá de ser ponderada com a manutenção da qualidade do serviço, com o nível de competitividade que o banco quer ter e com a presença que o banco quer ter no mercado".

Relativamente à redução de 23 trabalhadores e 29 balcões entre junho de 2019 e junho de 2020, o responsável afirmou que "numa organização, as pessoas também saem naturalmente, porque se reformam", e em relação aos balcões disse que as equipas das sucursais encerradas foram integradas em outras unidades.

O banco teve sempre uma grande preocupação com a componente do reconhecimento dos recursos humanos a vários níveis, e nomeadamente, também, quando é necessário adaptar a sua estrutura às circunstâncias exteriores que não são impostas pelo banco. E o banco continuará a analisar e a olhar para essas mesmas circunstâncias e adaptando a sua estrutura conforme for necessário", disse ainda o presidente indigitado do BPI.

/ Publicada por ALM