UniCredit quer captar 13 milhões de euros (13.800 milhões de dólares) através da venda de ativos – como a Pioneer e a participação no polaco Pekao – e a emissão de direitos. O plano inclui ainda o corte de custos, mais fundo, que está a ser elaborado e que implica a redução de pessoal e limpeza dos ativos ‘tóxicos’ do balanço, noticiou a Bloomberg.

O objetivo é chegar aos 4,7 mil milhões de euros de lucro líquido em 2019, com um retorno sobre o património tangível acima de 9%, disse o presidente executivo da instituição, Jean Pierre Mustier, na apresentação do plano citado pela agência.

Para já, está previsto um corte adicional de 6.500 postos de trabalho, elevando o total para 14.000, com o qual a instituição pretende atingir poupanças adicionais no valor de 1,7 mil milhões de euros que se juntam à redução total de 12,2 mil milhões.

Em fase de concretização estão, já, a venda da participação, de mais de 32,8%, no banco polaco Pekao à seguradora PZU e ao fundo de desenvolvimento polaco por cerca de dois mil milhões de euros (anunciada pelo próprio UniCredit), e a alienação da gestora de ativos Pioneer por quase quatro mil milhões (noticia avançada ontem pela Reuters). 

Jean Pierre Mustier, um francês de 55 anos, assumiu em julho o comando do UniCredit e um balanço carregado de “maus créditos”, numa altura em que os juros estão a níveis mínimos - o que dificulta a captação de depósitos - e a Itália enfrenta a maior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

Banca italiana treme. Mas não cai?

O esforço do UniCredit fez-se logo sentir nos mercados, já que o receio de um colapso na banca italiana está longe de passar. Mas com o anúncio do plano do gigante do setor do país da bota, as ações dos bancos italianos estão a recuperar esta terça-feira.  O índice do setor em Itália cresce 3% e o índice STOXX600, que contem alguns dos títulos da banca, sobe 0,6% depois de abrir ligeiramente em baixa.

O UniCredit tenta assim afastar-se do Monte dei Paschi di Siena (MPS), o terceiro maior banco italiano e único que chumbou nos testes de stress. O MPS está numa corrida contra o tempo, mais concretamente contra o resgate, depois de ter visto negado, pelo Banco Central Europeu (BCE), o prolongamento do prazo para implementar a recapitalização no valor de cinco mil milhões de euros - as ações caíram cerca de 10%. Mas o rumor de que o MPS poderia ser intervencionado pelo Estado levou a uma ligeira recuperação esta semana.

 
/ ALM