O fundo norte-americano Lone Star é o favorito na corrida ao Novo Banco. O Banco de Portugal (BdP) emitiu, esta quarta-feira à noite, um comunicado, onde considera o fundo como a entidade melhor colocada “para finalizar com sucesso o processo negocial tendente à aquisição das ações do Novo Banco e decidiu convidá-lo para um aprofundamento das negociações”.

A estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança no futuro do Novo Banco são objetivos do processo de venda que o Banco de Portugal está a conduzir. No momento atual da negociação, a proposta do potencial investidor Lone Star é a que melhor assegura estes objetivos, mas apresenta condicionantes, nomeadamente um potencial impacto nas contas públicas, que se procurarão minimizar ou remover no aprofundamento das negociações que agora se inicia”, acrescenta o Banco de Portugal.

O BdP sublinha que a nova fase de negociações “não exclui a melhoria das propostas dos restantes potenciais investidores que entregaram propostas no âmbito dos dois procedimentos de venda”.

Tanto quanto se sabe, a Lone Star oferece 750 milhões de euros pelos 100% do capital a que se juntam mais 750 milhões, a injetar na instituição. Além disso, o fundo admite criar uma entidade paralela para parquear os ativos problemáticos do banco, disponibiliza-se para gerir o risco e trabalhar com o estado na eventual recuperação do capital.

A proposta terá um senão: os rumores dizem que o Lone Star exigia uma garantia estatal superior a 2 mil milhões de euros.  

O Governo quer deixar claro que os interessados não têm a faca e o queijo na mão e que em última análise, prefere nacionalizar o banco a vendê-lo a qualquer custo.

Para trás ficaram os chineses do Minsheng, que apesar de terem a melhor oferta do ponto de vista financeiro, não conseguiram reunir as garantias bancárias para fechar o negócio.

Na corrida estiveram também o BCP, o BPI e o consórcio norte-americano Apollo-Centerbridge, cuja oferta nunca chegou a ser tornada pública. A cúpula deste consórcio esteve esta semana em Portugal para melhorar a oferta e até se propunha integrar o grupo português Violas Ferreira, mas o esforço feito à ultima hora não foi suficiente.

O Lone Star é um fundo não cotado que investe sobretudo no segmento imobiliário. Opera maioritariamente nos Estados Unidos e Canadá, mas voltou-se nos últimos anos para o mercado europeu. Gere ativos no valor de 50 mil milhões de euros.

Este não é o primeiro negócio da Lone Star em Portugal. O grupo já deteve quatro centros comerciais da rede Dolce Vita, detendo atualmente apenas o Monumental, em Lisboa, e comprou a marina de Vilamoura.

A última palavra sobre o vencedor na venda do Novo Banco cabe agora ao Governo. As negociações aprofundadas com o escolhido vão continuar. O negócio tem de estar fechado até agosto de 2017.