A presidente executiva do Banco Português de Fomento (BPF) afirmou esta quarta-feira que as contas de 2020 da instituição vão ser apresentadas “até final do corrente mês” e “dentro de tempo”, pois o prazo foi alargado “para todas as empresas”.

As contas do banco e dos diversos fundos que o banco neste momento tem debaixo de si vão ser apresentadas dentro de tempo”, garantiu Beatriz Freitas durante uma audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, recordando que “o tempo de apresentação das contas foi alargado para todas as empresas portuguesas”.

Salientando que “este é o primeiro ano em que o banco apresenta contas”, Beatriz Freitas considerou que, dada a operação de fusão que deu origem à instituição, “todo o processo de elaboração de contas deste ano já seria mais complicado”.

Mas está em tempo e as contas serão apresentadas de acordo com o calendário previsto, até ao final do corrente mês”, assegurou.

“Ressalvo também que as contas do banco incluem este ano, pela primeira vez para as nossas equipas, a consolidação das duas sociedades em que agora o banco participa e tem uma maioria de capital, e por isso vai ter que apresentar contas individuais e consolidadas”, acrescentou.

Relativamente aos fundos sob a alçada do BPF, que a CEO precisou serem 10, a “maior parte” das respetivas contas “também já estão já estão a ser finalizadas”: “Estão os respetivos Conselhos Gerais a começar a ser marcados para fazer a sua aprovação”, avançou.

Banco de Fomento privilegiará instrumentos de quase capital face a capital direto

Beatriz Freitas afirmou ainda que a instituição privilegiará os instrumentos de quase capital em detrimento dos de capital direto, mas que todas as medidas “estão ainda em cima da mesa”.

“Existe uma fatia grande do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], na parte do que são instrumentos de capital, que vai estar sob gestão do Banco de Fomento”, afirmou Beatriz Freitas, acrescentando que essas medidas “não estão ainda definidas, mas estão a ser trabalhadas”.

Falando numa audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, a presidente executiva (CEO) do BPF avançou, contudo, que “há uma preponderância pela utilização dos chamados instrumentos de quase capital, e não de capital direto”, embora “todas as medidas no que se refere a capital, quer direto, quer indireto”, estejam “ainda em cima da mesa”.

O deputado João Almeida, do CDS-PP – partido que apresentou, em fevereiro, o requerimento para audição no parlamento da administração do BPF – criticou os vários meses que decorreram até que a audição ocorresse, manifestando a sua “perplexidade” face à “dificuldade que a Assembleia da República tem em dialogar com uma instituição” com a “responsabilidade” do Banco de Fomento.

“Ainda mais quando a justificação para que assim seja é de não estar concluído o processo de nomeação de uma administração. Se um Banco de Fomento demora tanto tempo para existir verdadeiramente e tanto tempo para nomear uma administração, nem quero ver como vai ser para apoiar as empresas”, afirmou.

Questionada pelos deputados sobre o trabalho que tem vindo a ser feito nos últimos meses pela instituição, Beatriz Freitas disse que este se tem focado em “fortalecer a instituição” e em “preparar o futuro”.

“O Banco de Fomento resulta da fusão de três entidades financeiras que existiam no âmbito do apoio à economia [PME Investimentos – Sociedade de Investimento, IFD – Instituição Financeira de Desenvolvimento e SPGM – Sociedade de Investimento]. A nossa primeira atividade foi efetivar a fusão, trabalhar a parte interna no que respeita aos colaboradores, pôr as equipas a trabalhar em conjunto e reorganizar a parte toda de direção nas três tipologias de instrumentos financeiros em que o banco atua: garantias, dívida e instrumentos de capital” disse.

“Não temos estado parados”, garantiu.

Relativamente à nomeação da administração do banco, a presidente do BPF argumentou que “cabe ao acionista” Estado: “As pessoas estão indicadas e o processo está a decorrer, o que é normal para uma sociedade financeira, com a apreciação das pessoas no regulador”, disse.

A CEO salientou que “a missão do Banco de Fomento é bastante mais ampla do que era a função das três instituições que lhe deram origem”, o que implica que “há matérias que não estão abrangidas pelo que vem de trás”.

“Há áreas em que o banco vai trabalhar que não estavam na missão de nenhuma das entidades que vêm de trás, como a missão de ser banco verde, e que, por aquilo que é conhecido e pelos compromissos que o país tomou em termos de descarbonização, vai ter bastante relevância”, sustentou.

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