O BCP registou lucros de 169,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, o que compara com lucros de 150,6 milhões de euros no mesmo período de 2018.

O valor representa um aumento de 12,7% relativamente ao primeiro semestre de 2018, e de acordo com o banco foi impulsionado pela expansão dos proveitos 'core' (5,3%) e pela redução de imparidades e provisões no montante de 13,1%.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse que "a evolução da política monetária" teve um "impacto grande" no planeamento da atividade do banco.

No comunicado que acompanha a apresentação dos resultados, o BCP divulgou que a margem financeira registou um aumento de 7,6%, correspondentes a 52,4 milhões de euros, tendo a margem aumentado de 687,7 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 740,1 milhões de euros em igual período de 2019.

O proveito com comissões também aumentou, mas 0,6%, o que corresponde a uma passagem de 340,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 342,2 milhões de euros no período homólogo deste ano.

Conjugados, as comissões e a margem financeira aumentaram 5,3%, correspondentes a 54,4 milhões de euros que refletem a subida de 1.027,9 milhões de euros para 1.082,3 milhões entre os primeiros semestres de 2018 e 2019.

Também os custos operacionais (excluindo itens não habituais) do BCP aumentaram, mas 6,7%, de 492,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 525,8 milhões de euros em igual período de 2019.

Nos custos com pessoal não habituais o destaque vai para o pagamento da devolução de parte dos cortes salariais feitos aos trabalhadores do banco, que juntamente com custos de reestruturação levou esta rubrica para os 22,4 milhões de euros, quando no primeiro semestre de 2018 o valor tinha sido de 8,0 milhões.

Noutros proveitos, o banco privado registou uma subida de 45,2% no primeiro semestre de 2019 devido a mais valias em dívida pública portuguesa (55,4 milhões de euros), levando a rubrica para os 42,0 milhões de euros devido às baixas taxas de juro nos seguros, quando em igual período de 2018 os outros proveitos tinham sido de 28,9 milhões de euros (ganhos de 13,4 milhões de euros em dívida pública portuguesa).

Antes de imparidades e provisões, o resultado do BCP foi de 576,0 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, um aumento de 3,6% face aos 556,0 milhões do primeiro semestre de 2019.

Graças à diminuição de imparidades em 13,1%, correspondentes à passagem de 279,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 243,1 milhões em igual período de 2019, o impacto positivo no resultado do BCP foi de 36,7 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano.

Antes de impostos, os resultados do banco liderado por Miguel Maya foram de 332,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, um aumento de 20,5% face aos 276,2 milhões de euros em igual período de 2018.

O banco registou também uma descida de NPE (exposição a mal parado) de 25,4%, passando de 6.666 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 4.970 milhões na primeira metade de 2019.

A operação do BCP em Portugal registou um aumento líquido dos lucros de 13,7 milhões de euros (23,2%), passando de 59,0 milhões no primeiro semestre de 2018 para 72,7 milhões na primeira metade de 2019.

Em Moçambique, a participação do BCP registou uma diminuição nos lucros de 6,1%, passando de 52,9 milhões de euros na primeira metade de 2018 para 48,0 milhões no mesmo período deste ano.

"Não estou preocupado com a greve"

O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse hoje que não está preocupado com a possível greve, anunciada pelos sindicatos da banca, e que não "fomenta divergências", mas sim "convergências" com os representantes dos trabalhadores.

O empenho do BCP é encontrar uma solução. Não a qualquer custo. Não estou preocupado com a greve, no sentido [...] [do] que é que acontece com uma greve, não estou preocupado com isso. Estou preocupado sim, na substância. Que é encontrar uma solução que seja equilibrada nesta relação com os diversos 'stakeholders'", disse Miguel Maya na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro semestre do banco (lucros de 169,8 milhões de euros).

Anteriormente, Miguel Maya já tinha dito que "os sindicatos tiveram um contributo muito positivo no apoio que deram ao plano de reestruturação do BCP", e que o banco está "grato" e soube "reconhecer este esforço".

Foi possível reduzirmos a remuneração dos colaboradores sem greves. Porquê? Porque as pessoas sabem o que estamos a fazer, porque procuramos comunicar com as pessoas aquilo que estamos a fazer, e daí, havendo um entendimento, torna as coisas mais fáceis", disse Miguel Maya.

No entanto, o líder do BCP disse que o banco não está disponível, "em nenhuma circunstância", para "a troco do presente comprometer o futuro".

Relativamente à reivindicação de alguns sindicatos sobre à ausência de aumentos no BCP durante o ano de 2018, Miguel Maya disse que não houve nenhum "apagão".

Não há apagões de nenhuma natureza no BCP. Nem nos sistemas nem na memória das pessoas", assegurou Miguel Maya, salientando que em 2018, "entre promoções e aumentos salariais", 24% dos trabalhadores do banco viram a sua situação melhorada.

No entanto, o presidente executivo do banco disse que "é verdade que não houve revisão da tabela salarial e, portanto, que os reformados não viram essa situação refletida", mas comparou a situação com os trabalhadores mais recentes do banco.

Os colaboradores do banco que entraram nos últimos dez anos, fruto da situação específica do BCP e do contexto internacional, tiveram as carreiras muitíssimo condicionadas e a evolução muitíssimo condicionada" e, por isso, o BCP está, "com os recursos escassos", a dar "prioridade" ao que entende dar prioridade, referiu.

Os sindicatos Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), de Bancários do Norte (SBN) e Independente da Banca (SIB) aprovaram na quarta-feira uma paralisação e o recurso ao fundo de greve, que só avançará caso os bancos "se mantenham intransigentes".

De acordo com as estruturas sindicais, “entre 2010 (data da produção de efeitos das tabelas de salários e pensões em vigor) e 2018, os bancários (com exceção do BCP) apenas tiveram aumentos de 0,75%, em 2016, 2017 e 2018, ou seja, 2,25% no total, pelo que perderam 10,79%” de poder de compra face à inflação.

No caso do BCP, a recuperação foi zero, dado que “nem sequer esses aumentos tiveram”, segundo o comunicado.

Porém, as instituições de crédito, no ACT geral, decorrido todo este tempo de negociações, só admitem aumentos de 0,75% para 2019. E o BCP, até ao presente, 0% para 2018, de acordo com a nota.