A Associação Mutualista Montepio Geral teve prejuízos de 408,8 milhões de euros em 2019, sobretudo devido ao reforço das imparidades para o banco Montepio, que comparam com lucros de 1,6 milhões de euros de 2018, divulgou ao mercado.

A mutualista convocou para 30 de junho a assembleia-geral para deliberar sobre as contas de 2019, convocatória que se acompanha de vários documentos relativos às contas, cuja divulgação foi sendo adiada nos últimos meses devido a diferendos entre a auditora PWC e a direção da mutualista sobre o valor atribuído à sua principal participada, o banco Montepio.

Na semana passada, o jornal Público já tinha avançado que a Associação Mutualista Montepio Geral ia divulgar 408,8 milhões de euros de prejuízos relativos a 2019.

No relatório e contas divulgado na segunda-feira à noite, a mutualista atribui os prejuízos a "fatores não recorrentes, de grande materialidade, [que] penalizaram fortemente os resultados do exercício de 2019".

Esses fatores extraordinários são, segundo o documento, a constituição de imparidades para o banco Montepio (no valor de 377,5 milhões de euros) e para a Montepio Seguros (14,8 milhões de euros) e ainda o reforço das provisões matemáticas de 34,7 milhões de euros devido à redução das taxas de juro.

A constituição dessas imparidades decorreu das análises efetuadas ao valor dos respetivos investimentos, adotando abordagens muito conservadoras, considerando o contexto de mercado e o atual quadro de incerteza", lê-se no relatório e contas.

A Associação Mutualista Montepio Geral, com mais de 600 mil associados, é o topo do grupo Montepio e tem como principal empresa o banco Montepio, que desenvolve o negócio bancário. O seu presidente é Virgílio Lima, que em dezembro de 2019 substituiu Tomás Correia (que ocupava o cargo desde 2008).

O banco Montepio divulgou hoje os resultados do primeiro trimestre deste ano, em que teve lucros de 5,4 milhões de euros, 17% abaixo de período homólogo, tendo constituído 15,5 milhões de euros em imparidades devido ao impacto negativo esperado da Covid-19.

/ Publicada por ALM