O ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, afirmou hoje que a greve da Soflusa "não é justa do contexto da empresa", porque "vira uns contra os outros", rejeitando os argumentos invocados pelos mestres para a paralisação.

"Não podemos ir por aí", afirmou, em audição na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, quando questionado pelo deputado do PCP Bruno Dias sobre a greve dos mestres da Soflusa, que na semana passada cumpriram o segundo de dois dias de greve parcial na ligação fluvial entre Barreiro e Lisboa, e têm agendada uma nova paralisação entre 3 e 7 de junho.

Está ainda em curso uma greve às horas extraordinárias, sem data certa de conclusão.

Matos Fernandes considerou que não é possível atender às exigências dos 17 mestres da empresas sem ser com "uma abordagem geral".

Estamos a tudo fazer para desconvocar esta greve, com a abordagem geral das condições e não apenas dos mestres. Não é de forma alguma possível atender a esta reivindicação sindical tão específica. Não apoiamos", declarou.

O governante alertou ainda para a mudança das reivindicações destes profissionais entre os dois pré-avisos de greve: "Já não falam na questão das contratações, porque elas estão a decorrer e não se contratam pessoas numa tarde, mas de questão salariais".

Segundo João Matos Fernandes, existe "um acordo salarial subscrito por todos os sindicatos válido até ao final do ano" e entretanto "foram abertas as negociações para a revisão do próximo ano".

"Temos um acordo celebrado com todos os sindicatos e não apenas com este", acrescentou.

Matos Fernandes rejeitou que hoje a Soflusa tenha falta de navios para a operação, referindo que há "sete navios operacionais", mas "às vezes só estão quatro a funcionar por falta de tripulantes, devido à greve".

O ministro anunciou ainda no parlamento que "está a ser aberto o processo para contratação de seis marinheiros".

Ainda em resposta ao deputado comunista, Matos Fernandes realçou que, no mês de janeiro, ao longo de todo o mês, houve menos de 20 supressões, isto é, menos de uma hora por dia: “Foi, por isso, residual", apontou.

Desde o dia 10 de maio que as ligações fluviais entre o Barreiro e Lisboa têm registado várias perturbações devido à falta de mestres, situação que se mantém no dia de hoje, com várias carreiras a serem suprimidas entre as 14:25 e as 20:55.

O cenário piorou com a paralisação parcial de dois dias, que ocorreu no final da semana passada, e com a greve às horas extraordinárias, que se iniciou no dia 23 de maio e se deve prolongar até ao final do ano.

De acordo com o sindicatos, apenas trabalham 21 mestres na transportadora (dos quais três estão de baixa médica), mas são necessários 24, além de se ter verificado um maior “saturamento” da classe, depois de a empresa introduzir uma nova escala de serviços, em abril, com a implementação do passe Navegante.

Na terça-feira, o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, disse à Lusa que os mestres da Soflusa querem uma vantagem salarial apenas para a sua categoria e não estão a cumprir o acordado.

O governante referiu que a greve está a causar problemas a milhares de pessoas, pelo que “devia prevalecer o interesse coletivo” e os mestres “deviam suspender esta greve e voltar à conversa”.

Também na terça-feira, a Soflusa anunciou que vai entrar em vigor um novo horário a partir de 08 de junho, o qual será praticado “até ser retomada a normalidade de serviço” na ligação fluvial.