A prisão do director do Fundo Monetário Internacional, acusado de agressão sexual, não vai comprometer o papel do FMI na resolução da crise da dívida Europa. A garantia é dada pelo BCE, mas também pela maior economia europeia, a Alemanha e pela Comissão Europeia.

«Strauss-Kahn desempenhou um papel importante na reformulação do FMI e tornou-o activo. Presumo que os preparativos para o encontro do Eurogrupo já foram feitos, mas certamente seria lamentável se algum tipo de vazio de liderança pudesse surgir», disse o membro do Conselho de Governadores do BCE, Ewald Nowotny, citado pela Reuters. Será a directora-adjunta do Fundo, Nemat Shafik, que vai representar o FMI nesta reunião em que «DSK» (como é conhecido Dominique Strauss-Kahn) está no centro das atenções.

Ewald Nowotny sublinhou que «é do interesse de todos que se encontre uma solução clara, muito rapidamente, e que o FMI continue plenamente capaz» de desempenhar o seu papel.

Agora, «seria cínico assumir que não importa se alguém da liderança [do Fundo] está presente ou não». De qualquer modo, este responsável deixa a garantia que o FMI continuará a desempenhar um papel «muito positivo» na Europa, mesmo sem Strauss-Kahn.

Da parte da Alemanha, o porta-voz do Governo de Angela Merkel assegurou que o FMI consegue trabalhar a 100% na resolução da crise da dívida, apesar de o seu director estar agora a enfrentar uma acusação de agressão sexual.

«O FMI vai ser capaz de desempenhar o seu papel para a busca de soluções para os problemas orçamentais a nível mundial e, especificamente, no que toca aos problemas da Zona Euro, onde desempenha um importante papel, sem quaisquer limites», afirmou Steffen Seibert, para quem é inapropriado discutir agora quem deverá suceder a Strauss-Kahn, que, segundo fez questão em sublinhar, é inocente até prova em contrário.



Igual garantia foi dada pela Comissão Europeia: a prisão do director do FMI não vai ter impacto algum sobre os programas de resgate da Irlanda, Grécia e Portugal e todas as decisões tomadas terão legitimidade para continuarem a ser postas em prática.

Note-se que, na ausência de Strauss-Kahn é o número dois do FMI, John Lipsky que assume o comando da instituição.
Redação / VC