A Fosun tornou-se na maior acionista do BCP, com 16,7% do capital.

O conselho de administração do Banco Comercial Português aprovou a entrada do grupo chinês por unanimidade, segundo comunicado enviado neste domingo à CMVM, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

O Banco Comercial Português anuncia a aprovação pelo seu Conselho de Administração do resultado das negociações com a Fosun Industrial Holdings Limited, bem como do aumento, por colocação particular, do capital social do BCP", consta no comunicado divulgado.

A Fosun investe 175 milhões de euros, "através da colocação particular de 157.437.395 novas ações (aumento de capital reservado)" e reforça "o forte interesse de vir, subsequentemente a aumentar, a participação no BCP para cerca de 30%", mediante alteração à blindagem dos estatutos.

A entrada dos chineses no capital do maior banco privado português surge depois do aval do Banco Central Europeu (BCE), sem o qual a aquisição não seria possível. Terá sido, aliás, essa a razão para os acionistas do banco, reunidos em assembleia-geral no passado dia 9 de novembro, adiarem a votação de um dos pontos da ordem de trabalho: o que autorizava a blindagem dos estatutos do banco de 20 para 30% do capital - uma das condições do grupo chinês para fazer o negócio.

A angolana Sonangol era, até ao momento, a principal acionista. E nas últimas semanas surgiram notícias, até agora não confirmadas, de que a empresa liderada por Isabel dos Santos teria também pedido ao BCE autorização para reforçar a sua posição, numa tentativa de equilibrar forças dentro da instituição financeira. E com a intenção do Fosun de reforçar até 30%, os angolanos não quereriam perder peso na estrutura acionista do BCP.

Notícias que tem estado a ser bem recebidas pelo mercado, apesar da instituição ter passado de lucros a prejuízos de prejuízos de 251,1 milhões de euros no terceiro trimestre do ano, com as imparidades - quantia recuperável de determinados ativo que é inferior à quantia inscrita nas contas do banco - a continuarem a penalizar os resultados. Por resolver está, ainda, a questão dos 750 milhões de euros em CoCos - dívida que se transforma em capital em determinadas circunstâncias - que o BCP tem de devolver ao Estado. Até ao momento, o banco pagou 2.250 milhões de euros.

Em outro comunicado, também deste domingo, o banco liderado por Nuno Amado informou,  que a assembleia-geral de 21 de novembro, e que votaria então o tal ponto que falta de blindagem de estatutos, foi mais uma vez suspensa até 19 de dezembro.