Depois de ontem ter dito que "não compete à CGTP" apresentar alternativas à TSU, Arménio Carlos mantém essa posição, depois de ter sido ouvido pelo Presidente da República, em Belém, durante cerca de duas horas. Ao mesmo tempo, apesar de não ter subscrito o acordo de concertação social, o líder da central sindical defende que em democracia "não se pode excluir ninguém".

"Nós não fugimos aos jogos, nem fugimos aos debates (...) Pelo facto de não termos subscrito o acordo, não admitimos jamais em tempo algum que a CGTP seja afastada de se pronunciar". Lembrete feito, quando questionado pelos jornalistas sobre se a descida do Pagamento Especial por Conta será uma boa decisão para substituir a descida da Taxa Social Única, a CGTP quer esperar pela proposta ou propostas do Governo para se pronunciar. 

Seja como for, Arménio Carlos defende que essas alternativas ou medidas compensatórias já existem no compromisso assinado entre os parceiros sociais.

Contempla um conjunto de medidas de apoio às empresas que se traduz em milhares de milhões de euros. Está lá o Recapitalizar, o Portugal 2020, as infraestruturas, está lá tudo isso. Ou seja, vamos ter o Estado, nos próximos anos, a financiar diretamente as empresas. Estamos a falar da maioria das empresas e isso não tem nada a ver com o salário mínimo nacional".

Para a CGTP, a atualização do salário mínimo para 557 euros não tem de ser uma contrapartida nem um "pretexto para apoiar essas empresas". Detalhou porquê: "O setor de restauração hotelaria e turismo está a fazer negócio como nos últimos anos", os serviços diz que também, "o vestuário e têxteis estão a exportar como nunca".

A esmagadora maioria para não dizer a totalidade das empresas tem condições para aumentar o SMN. Quem se preocupa com micro, pequenos e médios empresários não deve preocupar-se com o salário mínimo, mas com as margens e a concorrência desleal das grandes superfícies"

A CGTP recusa impor linhas vermelhas sobre eventuais alternativas e defende que o "sinal mais significativo" que se pode dar amanhã, na apreciação parlamentar do diploma do Governo já promulgado pelo Presidente da República, é que a medida caia por terra.