A semana não acordou nada animadora na Europa. Tanto ao nível do mercado de ações como do mercado da dívida.

Em Lisboa, o PSI20 não foi exceção e seguiu a derrocada dos pares europeus. Está a descer 1,07% para 4.560,34 pontos, penalizado por quase todos os títulos mas com os CTT a destacarem-se pela negativa.

O mercado ainda digere, e não gosta, do “aviso de resultados” relativo a 2016, divulgado na sexta-feira, que dá conta de uma queda superior ao previsto do correio endereçado face à previsão anterior. Bem como de uma descida dos resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações (EBITDA) dos CTT em 2016. Mesmo mantendo a estimativa de distribuição de dividendos, a ação derrapou mais de 11% e atingiu, esta manhã, um mínimo nos 5,31 euros.

Também o BCP, que parecia ir ajudar a bolsa portuguesa, já inverteu tendência e desce 1,76% para 0,15 euros. Numa altura em que continua aberto o período para a aquisição de direitos com vista ao aumento de capital.

No mercado da dívida, os juros da dívida portuguesa a 10 anos passaram esta manhã os 4,2%, valor que não era alcançado desde março de 2014 [considerando valores de fecho], e não estão sozinhos. Mesmo assim, na comparação intradiária, a mais correta, o valor não era atingido desde que, a 11 de fevereiro de 2016, passou os 4,4% nesta maturidade.

Os investidores estão preocupados com o impato que as políticas Donald Trump terão ao nível mundial, não só em termos empresariais – apesar de alguma empresas cotadas em bolsa reagirem em alta aos avanços de Trump – mas também em termos de estabilidade global, o que, obviamente, impacta no mercado da dívida – quanto estou disposto a pagar para deter dívida de determinado país? Se estou mais receoso o prémio tem que ser maior e os juros sobem.

"Trump sempre afirmou que estas seriam as políticas que iria implementar", disse James Woods, analista de investimentos globais na Rivkin Securities em Sydney à Reuters. "Muitas foram ignoradas como sendo apenas retórica de campanha, mas ele está a ser consequente."

"Isto faz regressar receios sobre uma guerra comercial com a China que vai afetar significativamente tanto a economia asiática como a economia mundial", disse Woods.

"A maior ameaça para os mercados neste momento é se Trump continua no caminho do protecionismo sem se focar nas políticas económicas", acrescentou o analista à Reuters.

Acresce que, com mercado de ações mais "entusiasmado" em vários setores - sobretudo nos ditos tradicionais -, pelo menos por agora, os investidores acabam por optar por ganhar dinheiro mais rapidamente nas bolsas e, claro está, deixam as obrigações da dívida de países para segundo plano - para comprar obrigações têm que me pagar mais.