Os gestores das empresas que constam no principal índice da bolsa nacional ganham até 100 vezes mais do que os trabalhadores. Portugal é, de resto, o quarto país da União Europeia com maior desigualdade salarial, depois do Chipre, Roménia e Polónia.

Em 2016, os gestores das cotadas portuguesas ganharam, em média, 876 mil euros, segundo as contas apresentadas pelo DN/Dinheiro Vivo.

Ajuda se olharmos para as empresas imaginando uma pirâmide. É na Jerónimo Martins que vemos a maior discrepância entre o cimo e o fundo dessa pirâmide. Pedro Soares dos Santos, CEO (presidente executivo) da dona do Pingo Doce, arrecadou 1,269 milhões de euros no ano passado, mas a média salarial do grupo é de apenas 12.500 euros por trabalhador. Na prática, o gestor ganhou 101 vezes mais.

Já o salário do CEO da Sonae, Paulo de Azevedo, foi 38 vezes superior ao rendimento médio dos funcionários.

Já na Galp e nos CTT, cada um dos presidentes executivos ganha 30 vezes mais do que os trabalhadores.

António Mexia, presidente da EDP, continua a ser o gestor mais bem pago. Ganhou mais de 2 milhões de euros entre remuneração fixa e variável. Um valor 11% superior ao de 2015.

Contas feitas, e comparando com o vencimento dos trabalhadores, é um encaixe chorudo, de quase 41,5 vezes mais. É que, em média, os quase 12 mil funcionários da energética levam para casa, ao fim de um ano, 49.100 euros.