Logo na quarta-feira, dia em que foram conhecidos os resultados das eleições presidenciais norte-americanas Wall Street acabou por fechar em alta: o índice industrial Dow Jones a subir 1,4%, o tecnológico Nasdaq 0,4% e o S&P 500 a valorizar 1,1%. Como as bolsas só abriram ao início da tarde, horas depois do discurso de vitória de Donald Trump, os investidores tiveram mais tempo do que na Ásia e na Europa para digerir melhor tudo o que aconteceu. O clima de incerteza vai continuar, isso é certo para os analistas, mas esta quinta-feira os ânimos estão bem mais calmos.

A começar logo pelas praças asiáticas, que com o fuso horário já terminaram as negociações por hoje e a recuperar depois do valente tombo da última sessão: a bolsa de Tóquio disparou 6,7% depois das quedas acima de 5% ontem, Hong Kong também subiu hoje 1,7%.

O facto de os republicanos terem conseguido maioria no Senado e no Congresso confere maior estabilidade à execução de políticas e o discurso conciliador de Trump também agradou aos investidores. Parecem estar agora mais focados nas promessas de generosas baixas de impostos, maior investimento e desregulação para os bancos.

Com isto, as bolsas pela Europa estão hoje todas ela positivas: Frankfurt a subir 0,5%, Londres 0,6%, Madrid 0,9%, Paris 1,2%, Milão 1,7% e Lisboa à volta de 0,6%.

O ouro continua a valorizar, depois de ontem já ter disparado quase 5%. Nestas alturas de incerteza, é sempre visto como um ativo de refúgio.

Lisboa: BCP e Sonae em foco

Há a destacar o desempenho de duas cotadas no PSI20: a Sonae revelou ontem uma subida inesperada dos lucros para 61 milhões de euros no terceiro trimestre e com isso está a ser a estrela da sessão, a valorizar 3,5% para 0,745 euros.

E também o BCP, um pouco oscilante ainda a digerir o facto de ter passado de lucros a prejuízos de 251 milhões até setembro. As ações estavam ao início da manhã a cair mais d «e 1%, aliviando as perdas para 0,2% pouco depois, com cada título a valer 1,1473 euros.

Os investidores estão também a digerir o adiamento da subida dos limites de voto de 20% para 30%, decidido ontem em assembleia-geral de acionistas. Essa alteração é uma condição essencial para permitir a entrada dos chineses da Fosun no capital do banco.

Só que os angolanos da Sonangol estão a medir forças com os chineses, já que também ontem ficou a saber-se da intenção da empresa de Isabel dos Santos de reforçar a participação no banco português.

Vanessa Cruz