O Conselho Europeu avisou hoje o Reino Unido que “deverá honrar" todos os compromissos financeiros assumidos enquanto Estado-membro da União Europeia. Foi o próprio presidente da instituição, Donald Tusk, que o afirmou, na apresentação das orientações para as negociações do Brexit.

Nós devemos assegurar que o Reino Unido honrará todos os seus compromissos financeiros e das dívidas contratadas enquanto Estado-membro".

Em conferência de imprensa, em La Valetta, capital maltesa, o presidente do Conselho Europeu diz tratar-se tão-só de "uma questão de justiça para com todas as pessoas, comunidades, agricultores, cientistas, etc…, a quem nós, os 28 [Estados-membros] prometemos e devemos dinheiro".

Os britânicos escolheram a separação e o divórcio começa agora a efetivar-se. Há nove meses, em referendo, votaram pelo Brexit e assumiram que queriam o fim da relação de 44 anos com a União Europeia. Na última quarta-feira, 29 de março, foi oficialmente o primeiro dia do adeus, depois de acionado o artigo 50 que deu início ao processo.

Carta que Donald Tusk recebeu com tristeza: "Não há razão para fingir que este é um dia feliz em Bruxelas e Londres".

A primeira-ministra, Theresa May, deixou claro que quer assegurar relações comerciais com a União Europeia. Tusk também pretende que o Reino Unido "seja parceiro" da Europa no futuro, mas separou as águas.

"O primeiro passo é a adoção de diretrizes, por parte do conselho europeu, para as negociações. Essas diretrizes irão, depois, determinar as posições e princípios, à luz dos quais a União Europeia, representada pela Comissão Europeia, irá negociar com o Reino Unido", afirmou na quarta-feira.

O Parlamento Europeu inicia na próxima segunda-feira uma sessão plenária marcada pelo debate e depois, na quarta-feira, irá votar uma resolução sobre as prioridades dos eurodeputados nas negociações com Londres sobre o Brexit.