«Energia, perseverança e sucesso». O Comissário Europeu para os Assuntos Económicos terminou assim a sua mensagem gravada e enviada à II Conferência «O Estado e a Competitividade da Economia Portuguesa», não esquecendo que «existem riscos de Portugal não cumprir as metas do défice para 2011».

Para Olli Rehn, «houve falhas na execução orçamental» do primeiro semestre, e será agora preciso esperar pelos «dados que serão conhecidos em Novembro». Mas não há dúvida quanto às «falhas» cometidas e à necessidade de as corrigir.

Mesmo assim, sublinhou, na conferência organizada pelo Jornal de Negócios e Antena 1, «o Governo reagiu bem às surpresas negativas», com medidas adicionais<.

Contudo, é preciso cumprir a meta do défice: para que Portugal tenha «hipótese de pôr a casa em ordem e ter esperança no futuro. Será preciso coragem e a ajuda de todos». O que não seria difícil com «apoio alargado no Parlamento» para um Orçamento do Estado «ambicioso, mas realista».

O comissário não deixa de «elogiar as reformas do Governo», mas alerta para «o poder dos interesses instalados» que o Executivo terá de enfrentar: «Mas as reformas estruturais têm de ser aprofundadas».

E o exemplo da Irlanda faz esteira: «Não só implementou consolidações orçamentais duras, como conseguiu lidar com os problemas do sector financeiro, bem piores que os dos portugueses».

Também o porta-voz de Rehn considerou hoje «corajosa» a proposta de Orçamento de Estado para 2012, já que mostra «o claro empenho» do Governo em cumprir os objectivos com que se comprometeu. «É uma pena que o esforço em 2012 seja maior do que o inicialmente esperado devido a eventos inesperados, em particular o desvio orçamental na Madeira», lamentou Amadeo Altafaj, em Bruxelas.
Judite França