O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) alertou hoje que não pode haver um vazio no banco e pediu que seja encontrada rapidamente uma solução após a demissão do presidente do conselho de administração.

Obviamente, estávamos com esperança de que o dr. António Domingues pudesse levar a cabo esta tarefa. Entendemos também que temos de ter um conselho de administração, que não pode haver um vazio na Caixa e que é fundamental que a tutela delibere rapidamente uma solução para este tipo de problema”, afirmou à agência Lusa Jorge Canadelo.

O presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues, apresentou a demissão do cargo, anunciou hoje o Ministério das Finanças em comunicado.

Entendemos que a decisão de nomear administradores para a Caixa cabe à tutela, assim como os esclarecimentos relativos sobre qual é o critério e porquê a nomeação desses administradores", referiu o coordenador da Comissão de Trabalhadores, garantindo que quando tiver oportunidade irá inquirir o ministério das Finanças sobre esta matéria.

A este propósito, Jorge Canadelo relembrou que “há mais de três meses que a Comissão de Trabalhadores solicitou ao gabinete do sr. primeiro-ministro e à tutela da Caixa Geral de Depósitos – Ministério das Finanças – reuniões para que os trabalhadores dessem a sua opinião acerca desta matéria, situações que não ocorreram e não por culpa” da comissão.

À pergunta se ficou surpreendido com a demissão de António Domingues, o dirigente considerou que “muitas situações que têm sido criadas, nomeadamente este mediatismo é negativo não apenas para a Caixa, mas certamente atinge todos os seus oponentes”.

E tem sido uma situação que praticamente todos os dias caem em cima da Caixa Geral de Depósitos. Há situações que se passam no setor bancário e noutras áreas de atividade que eu não vejo retratadas desta maneira”, apontou.

Para Jorge Canadelo, “realmente há uma pressão tão grande que é possível que a pessoa se tenha sentido, de alguma forma, incomodada ou que tenha atingido o seu limite”, mas isso só António Domingues “poderá dizer”.

O nosso entendimento é que para nós é importante ter uma administração que leve para a frente os planos que tenham o objetivo de fortalecer a Caixa e beneficiar o país e todos os cidadãos”, acrescentou Jorge Jorge Canadelo.

Segundo o coordenador, a Comissão de Trabalhadores “sempre defendeu" que o essencial é “a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, de modo ao seu fortalecimento, a sua reestruturação no sentido de melhorar a sua eficácia e eficiência, de fazer com que os seus trabalhadores sejam racionalmente aproveitados e que desempenhem a tarefa, não apenas de um banco que é referência no setor bancário, mas também de um banco que é fundamental para o crescimento económico e para o suporte à economia nacional”.