O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2008 e 2010, Fernando Faria de Oliveira, disse, esta sexta-feira, no parlamento, que o seu antecessor, Carlos Santos Ferreira, o avisou sobre a queda de valor de ações do BCP.

Eu tive duas reuniões com o engenheiro Santos Ferreira antes de entrar em funções, ele deixou-me um pequeno dossier, (...), lembro-me de ter falado, de facto, na queda de ações do BCP, mas à parte disso não me lembro de mais nenhum alerta", disse Faria de Oliveira na sua audição na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, numa resposta ao deputado do PSD Duarte Marques.

O deputado do PSD disse então a Faria de Oliveira que havia "um dado curioso".

Santos Ferreira sai da Caixa para o BCP, depois daquilo que todos nós, ou a maior parte, já chamámos de assalto ao BCP, e curiosamente há uma grande destruição de valor do BCP quando ele é presidente do BCP, valor esse que era a garantia à Caixa de vários empréstimos", disse o deputado.

Não acha isto um bocadinho curioso e até complexo?", perguntou Duarte Marques.

"Sem dúvida que a razão principal das dificuldades aí foi a queda brutal das ações do BCP. 92% não é normal", respondeu Fernando Faria de Oliveira.

Duarte Marques perguntou então ao antigo presidente da Caixa se aceitaria "ser presidente do BCP depois de ter emprestado tanto dinheiro para alguém controlar o BCP", caso fosse convidado.

Faria de Oliveira respondeu que não fazia "juízos de valor das posições assumidas por quem quer que seja", e que "cada um decide de acordo com os seus critérios".

Se quer uma resposta direta, eu quase toda a minha vida preferi exercer funções na área ligada ao setor público e, portanto, nessas circunstâncias provavelmente não aceitaria", acrescentou.

"Mas não vê aqui um conflito de interesses?", retorquiu Duarte Marques.

Se houvesse, deviam ter sido analisados por quem de direito e não foram, portanto é porque não havia", respondeu Faria de Oliveira.

Duarte Marques sugeriu então que a supervisão não funcionou "sempre, como já percebemos também".

Não seria só a supervisão, mas pronto, sim", concluiu Fernando Faria de Oliveira.