António Domingues esteve presente nas reuniões em Bruxelas onde foi negociado o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), antes de ser nomeado presidente do banco, e quando ainda era administrador do BPI.

A presença de Domingues nos encontros foi confirmada pela Comissão Europeia, em resposta a uma pergunta colocada pelo PSD.

“Compete às autoridades nacionais decidir quem deve estar presente ao seu lado nas reuniões. O novo plano de atividades para a CGD foi apresentado à Comissão pelas autoridades portuguesas, que também consideraram necessário que o então futuro conselho de administração da CGD (que, entretanto, foi nomeado) participasse em algumas das reuniões”, refere a Comissão na resposta enviada ao PSD.

 

Também a presidente do Mecanismo Único de Supervisão, do Banco Central Europeu (BCE) admite ter tido encontros formais com António Domingues, em Frankfurt e em Lisboa, antes da sua tomada de posse na Caixa.

“Sim, encontrei-me com o Sr. Domingues. Geralmente, encontro-me com todos os banqueiros que peçam, penso que é uma coisa boa para um supervisor”, afirmou Danièle Nouy, em resposta a uma questão colocada pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, do PSD.

“Encontrei-me com ele quando ele veio a Frankfurt e, além disso, eu participei numa conferência em Portugal e ele pediu-me se o recebia nessa ocasião. Disse que sim. Mais uma vez, dizia que sim a toda a gente, por isso não há nada de especial em relação a essa pessoa”, defendeu Nouy.

 

Ora, Nouy esteve numa conferência em Lisboa em maio deste ano. António Domingues só renunciou ao cargo no BPI a 30 de agosto, e assumiu funções na Caixa a 31.

Para o PSD, esta participação de Domingues nas negociações sobre a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos antes da sua tomada de posse configura um conflito de interesses, já que BPI e Caixa são concorrentes.

“Como pôde António Costa ter indicado para representar a CGD alguém que à data ainda não tinha entrado em funções na CGD e, ainda, mais grave, era administrador executivo de um banco privado e concorrente da mesma? Não põe isso em causa as mais elementares regras de transparência e de prevenção de conflitos de interesses?”, questiona José Manuel Fernandes, eurodeputado do PSD.

 

Também Paulo Rangel, do mesmo grupo parlamentar europeu, defende que “é importante que António Costa esclareça tudo, mas tudo, e de uma vez, sobre a Caixa: que papel teve ele no acordo para a isenção de obrigação de entrega da declaração de rendimentos? E agora, com esta novo esclarecimento, como mandatou alguém para negociar a recapitalização da Caixa quando esse alguém era ainda administrador de outro banco e nem sequer tinha garantido que aceitaria o futuro cargo na Caixa?”