O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos António Domingues garante que não partilhou as suas mensagens escritas de telemóvel com ninguém.

Questionado pelo deputado do PCP Miguel Tiago - que foi o único a trazer a matéria dos SMS à audição parlamentar de António Domingues - se teria partilhado as suas mensagens telefónicas com o comentador televisivo António Lobo Xavier, o anterior presidente do banco público negou.

Eu não partilhei SMS com ninguém. Quem conhece os meus SMS são os meus interlocutores e eu", assegurou, dizendo que afirmações que surgiram na praça pública sobre o conteúdo destas mensagens "não são verdade".

Na última ronda de uma audição que durou cerca de quatro horas, Miguel Tiago trouxe ao debate as declarações feitas por Lobo Xavier no programa da SIC “Quadratura do Círculo”.

"António Lobo Xavier afirmou em público ter na sua posse um conjunto de documentos, incluindo SMS - que não podem ter vindo de deputados, mas de alguém que trocou os SMS", afirmou o deputado comunista, questionando António Domingues se o comentador e ex-dirigente do CDS-PP viu os documentos que foram enviados à comissão de inquérito ou se trocou com ele opiniões sobre esta matéria.

Presumo que, no mínimo, tenha sido informado antes de ele dizer isso na televisão", inquiriu.

Na resposta, António Domingues disse que António Lobo Xavier "é um amigo de longa data" com quem teve ocasião de "partilhar informação enquanto" seu amigo, "ponto final".

"Penso que fez o que fez no melhor interesse, quer meu, quer da situação", disse, assegurando, contudo, que não entregou nenhuma documentação ao advogado e gestor.

"Não lhe entreguei documentos, nem lhe mostrei documentos", afirmou António Domingues, dizendo que, além do Ministério das Finanças e da Caixa Geral de Depósitos, apenas enviou documentação que lhe foi solicitada ao Parlamento, no âmbito da primeira comissão de inquérito à Caixa.

Em novembro, o comentador António Lobo Xavier declarou haver um compromisso por escrito entre o Governo e António Domingues em torno da não apresentação das declarações.

Posteriormente, alguns órgãos de comunicação social deram conta de que esse acordo teria sido estabelecido por SMS e até que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teria conhecido o conteúdo dessas mensagens.

António Domingues foi ouvido esta sexta-feira na segunda comissão parlamentar de inquérito que visa esclarecer a atuação do atual Governo sobre a nomeação e demissão da anterior administração da Caixa, liderada por António Domingues.

Esta foi a primeira audição da segunda comissão de inquérito à Caixa, pedida potestativamente (de forma obrigatória) por PSD e CDS-PP, que tem como um dos pontos centrais apurar se "é verdade ou não que o ministro [das Finanças] negociou a dispensa da apresentação da declaração de rendimentos [de António Domingues]", o que tem sido negado por Mário Centeno.

/ CP