O ministro das Finanças disse hoje no parlamento que a CGD tem a indicação para levar “até às últimas consequências” para responsabilizar ex-gestores e que o Governo não tem qualquer problema com a auditoria e eventuais consequências.

Ninguém neste Governo tem qualquer problema com a questão da auditoria e as consequências que a auditoria possa ter”, disse Centeno na audição perante os deputados da comissão de Orçamento e Finanças.

O governante vincou que esta auditoria foi solicitada já com o atual Governo, pela primeira vez em 20 anos, “ao fim de oito ministro das Finanças e sete governos”.

Sobre a responsabilização dos gestores do banco público cujas decisões se relevaram ruinosas, Centeno disse que, enquanto tutela da CGD, deu “todas as instruções ao Conselho de Administração da CGD para atuar na preservação quer patrimonial quer das responsabilidades que ainda se consigam fazer valer”.

A administração da CGD “tem a indicação pelo Governo para levar até às últimas consequências todas as ações necessárias para que aqueles que possam ser responsabilizados (…) possam vir a sê-lo no seu devido lugar”, disse.

Explicou que, foi nesse sentido, que mandatou a CGD para enviar o relatório da auditoria à Procuradoria-Geral da República, para apuramento de eventuais responsabilidades criminais, e ao Banco de Portugal, para avaliar eventuais contraordenações.

Centeno foi ainda mais longe ao afirmar que, olhando para o passado, na sua opinião "houve má gestão na CGD". Antes e para sustentar a afirmação, o governante recordou que a crise financeira não teve paralelo com qualquer outra nos 80 anos anteriores e que tanto nos bancos nacionais como internacionais as deficiências de gestão se tornaram evidentes.

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"Chegámos muito tarde a este processo. E não fizemos o que era preciso ser feito durante o programa de ajustamento (...)", disse, acrescentando que em novembro de 2015 três quartos dos bancos tinham problemas graves em Portugal. "É evidente para todos hoje, mesmo para os que não conhecem esta auditoria, que essa má gestão existiu na Caixa Geral de Depósitos. E é evidente que essa má gestão teve custos."

Além disso, afirmou, a CGD constitui-se como assistente para poder acompanhar o processo judicial.

Na semana passada, foi conhecida uma versão preliminar da auditoria da EY, datada de dezembro de 2017 e divulgada pela comentadora política Joana Amaral Dias, em que são apontados problemas de concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e ineficiências na gestão de risco.

A auditoria avaliou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e, só nestas, estimou perdas de mais de 1.000 milhões de euros, estando à cabeça as operações de financiamento da fábrica da La Seda, em Sines.

A EY indicou ainda que várias operações de concessão de crédito foram concedidas sem uma análise de risco aprofundada, incluindo “operações aprovadas com parecer de risco desfavorável ou condicionado” pela Direção de Gestão de Risco do banco.

O documento revelou também que administradores da CGD receberam “remuneração variável” e “voto de confiança”, mesmo em anos com resultados negativos.

Dos gestores referidos nesta versão da auditoria cujas decisões originaram perdas, há pelo menos 17 que continuam ligados à banca e mesmo à CGD.