A Comissão dos Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos acusa o banco de "querer começar uma casa pelo telhado", ao concretizar primeiro uma restruturação por redução de custos que passa, entre outras coisas, pelo fecho de agências e só depois verificar as necessidades no terreno.

Não me parece bem começar uma casa pelo telhado. O que devia ser feito era uma restruturação que implicasse primeiro ir aos locais averiguar as necessidades, ao nível da informática e métodos de organização do trabalho, e fortalecer estes aspetos, e não ao contrário: começar por fazer uma reestruturação por redução de custos e agências"

Jorge Canadelo, coordenador dessa comissão, reforçou à Lusa que os funcionários da Caixa consideram que "à cabeça" deve vir "um estudo prévio que permita dar uma fundamentação para então se fazer" a outra reestruturação. Uma posição expressa depois de uma audiência com o grupo parlamentar do PCP, pedida pela própria comissão de trabalhadores para expor a situação.

Hoje mesmo, o Governo saiu em defesa da reestruturação do banco público. No final do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, tomou a palavra.

Essa decisão se foi tomada pela direção, é uma decisão consonante com a gestão de um banco com esta natureza, com o interesse nacional e com o interesse dos cidadãos. Como é sabido a CGD é um banco público e o acesso ao sistema financeiro e ao sistema bancário é uma condição essencial de vida, diria, tão importante como aceder às telecomunicações”.

Na segunda-feira, o coordenador da Comissão dos Trabalhadores da CGD informou que o banco está a reavaliar a lista de agências a fechar, mas que tem sido difícil aceder à informação.

Politicamente, da esquerda à direita questiona-se o fecho de quase duas centenas de agências. Seja como for, a administração de Paulo Macedo ainda pode fazer alterações ao plano de António Domingues.

A Caixa fechar cerca de 200 balcões nos próximos três anos. Número deverá ser respeitado, mas o banco deverá ficar presente em todos os concelhos do país, uma certeza prevista pelo Presidente da República

O ministro das Finanças também disse estar "completamente seguro" de que todos os portugueses vão ter acesso a serviços bancários da Caixa. Presença dos balcões da Caixa pode não ser na sede do município, distâncias entre os balcões mais próximos e acessibilidades às localidades, como as redes viárias.

Desde há semanas que os encerramentos de agências da Caixa têm provocado contestação do poder político local, como são os casos de Almeida, no distrito da Guarda, Marvão, no Alto Alentejo, freguesia do Teixoso, na Covilhã, Santa Margarida, concelho de Constância, e Golegã, ambas no distrito de Santarém.

Fonte do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Caixa já tinha dito à Lusa que estão preocupados com encerramento de balcões sobretudo nos casos de sedes de concelho e também adiantou que está previsto o fecho do balcão das Lajes do Pico, nos Açores.

Se a Caixa fechar 25% das 651 agências até 2020, pode tornar-se no banco mais pequeno entre as grandes instituições do país. No final do ano passado, o BCP tinha 618 balcões e o BPI 545. Depois da fusão com o Banif, o Santander Totta ficou com 650 agências e o Novo Banco contabilizava 556 sucursais até setembro de 2016.

/ VC - Atualizada às 15:08