O ex-diretor do BES e Novo Banco Carlos Calvário confirmou esta terça-feira, no parlamento, que houve discrepâncias nas avaliações de imóveis nas instituições, inclusive entre avaliadores contratados pela mesma consultora.

Começando por responder à deputada Mariana Mortágua (BE) quando questionado sobre a diferença entre uma avaliação das grandes exposições na ordem de várias centenas de milhões de euros em poucos meses, entre setembro e dezembro de 2014, Carlos Calvário disse que "houve um bocadinho de tudo".

Na sua audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, o antigo responsável mencionou a influência de "maneiras de olhar diferentes para os planos de negócio dos projetos".

Segundo Carlos Calvário, pelo "facto de se olhar para um projeto imobiliário de grande dimensão, que parta do terreno e seja construído ao longo de vários anos", não se torna "muito difícil" haver discrepâncias.

Basta que o período que seja definido para absorção dos imóveis que ao ser construídos sejam diferentes, que as taxas de desconto a que são descontados os 'cashflows' ao longo do período todo, digamos assim, também sejam diferentes. Estes são dois [fatores] que podem ter um impacto grande", sobretudo quanto a terrenos ainda não construídos, explicou.

Carlos Calvário, que foi diretor do Departamento Técnico Imobiliário (DTI) do Novo Banco, negou ainda a Mariana Mortágua a existência de pressões para não registar imparidades.

Já a Duarte Alves (PCP), Carlos Calvário disse que consultora PwC escolheu um painel de avaliadores que não coincidiam com os habituais do BES e sem interferência do banco, não tendo avaliado diretamente os imóveis.

"Nós não tínhamos que escolher entre uma avaliação e outra. No final ficou a avaliação que resultou do outro lado, independentemdente de algumas objeções que fizemos na altura. Algumas foram aceites", explicou, mas noutras "os critérios foram determinados e acabou por ficar assim", de acordo com a avaliação externa.

O tema já tinha sido levantado anteriormente pela deputada Mónica Quintela (PSD).

Referindo-se a declarações feita na anterior comissão de inquérito ao BES, Carlos Calvário lembrou que "entre o mesmo painel de avaliadores indicados pela Price [PwC], com os mesmos dados, houve variações muito significativas".

Carlos Calvário disse ainda desconhecer se parte destes imóveis com avaliações diferentes ficaram incluídos na carteira de crédito malparado do Novo Banco conhecida como 'Viriato'.

/ RL