Foi com elogios ao acordo alcançado com a redução do Pagamento Especial por Conta (PEC) que Catarina Martins “recebeu” António Costa no Parlamento, no debate quinzenal. 

O que nós fizemos neste Parlamento foi acabar de vez com a ideia peregrina de que o aumento do salário mínimo deve ser compensado. Essa ideia morreu paz à sua alma”, afirmou Catarina Martins na sua intervenção. O Bloco de Esquerda era contra a redução da TSU e foi um dos partidos a enterrar a proposta do Governo no Parlamento.

Por isso mesmo, a líder bloquista defendeu, agora, a redução do PEC:

“É seguramente uma aposta no incentivo às empresas, em vez do incentivo aos baixos salários e é um consenso real, em vez de um acordo dos patrões consigo próprios”, explicou.

E sem nunca referir o PSD, fez questão de afirmar também que “o governo encontra à sua esquerda a disponibilidade e a capacidade para negociar a soluções de que o país precisa, deixemos a direita presa no seu labirinto”.

Costa fala em obras para 200 escolas

Fugindo um pouco ao tema eleito para o debate quinzenal, Catarina Martins questionou depois António Costa sobre o encerramento da escola Secundário Alexandre Herculano, no Porto, por falta de condições. Lembrando que já tinha colocado perguntas ao executivo sobre essa matéria e sobre um "plano de intervenção urgente".

Na resposta, o primeiro-ministro, usou esse caso "como exemplar", para a falta de investimento público:

"Nos quatro anos antes deste Governo, o investimento recuou para níveis de 1984 (...) A escola Alexandre Herculano é um exemplar desse ponto de vista. Essa era uma obra que estava adjudicada em 2011 e foi anulada quando o Dr Passos Coelho chegou ao Governo"

"Estavam 39 escolas adjudicadas. Foi anulado e não foi substituído", continuou o primeiro-ministro. Pegando no argumento da direita que liderava o executivo, defendeu:

"Podiam dizer que a Parque Escolar não era um bom modelo e isso até pode ser discutível, mas se aquele não era um bom modelo... não introduziram nenhum modelo alternativo", lamentou.

"Estamos em condições de arrancar com essas obras que vão abranger 200 escolas em todos o país e uma delas é a Alexandre Herculano", afirmou António Costa.

A líder bloquista concorda que "não se pode de um dia para outro apagar tudo o que foi a destruição feita" nos últimos anos, mas deixou um aviso ao chefe do Governo que apoia parlamentarmente: "temos andado devagar demais no que diz respeito aos serviços públicos".

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