A auditoria ao Novo Banco feita pela Deloitte identificou perdas superiores a quatro mil milhões de euros entre 2014 e 2018. O documento já foi entregue na tarde desta terça-feira no parlamento, classificado como confidencial.

Cecília Meireles, deputada do CDS, e Duarte Alves, deputado do PCP, debateram, esta terça-feira, na TVI24, as revelações feitas por este relatório.

Eu tive acesso ao relatório às 16:00 e só consegui ler aquilo que foi possível”, revelou a deputada do CDS.

Para Cecília Meireles, o caso suscita indignação “por vários motivos”. A deputada relembrou que, passados seis anos, ainda não houve nenhum “andamento nos processos”, deixando no ar a “suspeita” sem que “haja uma resolução”.

Estas perdas estão a acontecer porque os ativos do banco valem menos do que se imaginava ou estão a vender tudo ao desbarato?”, questionou Cecília Meireles. “Este problema não começou em 2014, mas sim em 2000. Os fundos da Troika são nossos e pagos com o esforço de todos nós.”

Para o deputado do PCP o problema começou no momento do processo de resolução.

Não podemos branquear as responsabilidades políticas de quem conduziu todo este processo”, afirmou Duarte Alves. “E quem disse aos portugueses que era possível resolver a situação de um banco que tinha imparidades de doze mil milhões de euros.”

O deputado comunista considera todo o processo, gerido à data pelo governo de Pedro Passos Coelho, uma “fraude”. Durante esse processo, o PCP chegou a propor a nacionalização do banco, que, segundo o Banco de Portugal, custaria sete mil milhões de euros aos contribuintes portugueses.

Ora, chegamos à conclusão de que já pagámos os sete mil milhões de euros e o banco não é nosso”, afirmou. “Aquilo que se impunha era colocar o banco ao serviço do país.”

Sobre se deveria ser constituída uma comissão de inquérito sobre o processo do Novo Banco, o deputado do PCP diz ainda ser “cedo”, uma vez que o relatório está na posse dos deputados há muito pouco tempo e ainda é necessário verificar se o documento apresenta factos novos que “justifiquem a criação de uma comissão de inquérito”.

Convém perceber que o supervisor, que também tem poderes para fiscalizar estes negócios e tem poder sobre o fundo de resolução, é o mesmo ministro que optou por este modelo de venda”, referiu Cecília Meireles, em referência ao antigo ministro das Finanças Mário Centeno, atual Governador do Banco de Portugal. “Eu acreditei no que me era dito, eu acreditei que este banco era bom.”   

Cecília Meireles, que diz ter acreditado quando lhe foi dito que a separação de ativos que deu origem ao “banco bom” e ao “banco mau”, algo que, para Duarte Alves resultou “num banco mau e num banco muito mau”.