Da esquerda há direita, há consenso quanto ao facto de a polémica da (não) entrega da declaração de rendimentos pela administração da Caixa se arrastar há demasiado tempo. Tanto Bloco de Esquerda como PSD instam o Governo a fazer alguma coisa e se em causa estiver alguma promessa a António Domingues e à sua equipa para que essa informação nunca fosse pública, a líder bloquista chama a atenção para compromissos fora da lei.

Seria muito estranho que alguém num Estado de direito prometesse seja a quem for que não tinha de cumprir as leis e, portanto, acho que este assunto é verdadeiramente... arrasta-se há tempo demais. É preciso perguntar isso ao Governo ou à administração da Caixa. Não percebo porque é que a administração ainda não entregou a declaração de rendimentos e património que tem de entregar ao Tribunal Constitucional".

Se Catarina Martins não compreende, Passos Coelho idem.

Não se percebe de que é que o primeiro-ministro está à espera para pôr um ponto final nesta matéria. Eu já disse, no último sábado, que se o Governo não põe ele próprio, o Parlamento pode... Já toda a gente percebeu, o país, que o Governo está a querer lavar as mãos e o primeiro-ministro é o primeiro de todos, não se percebe".

O líder do PSD lembrou que António Costa deu a cara deu sempre a cara sobre a Caixa Geral de Depósitos e defendeu que a atitude atual do primeiro-ministro é condenável. "Queria que alguém pusesse termo a esta questão. Esta situação revela que o Governo está sem norte, sem capacidade de decisao, está a paralisar. E paralisar numa questão tão relevante, que incide sobre a CGD, que é o primeiro banco do país, é grave".

Já Catarina Martins observou que, sim, é possível esperar por todos os prazos legais para que o Ministério Público e o Tribunal Constitucional se pronunciem "para saber se há ou não perda de mandato por não entregar", mas constatou que isso é estar a empurrar a situação com a barriga e a consumir ainda mais tempo com a polémica.

"Vamos querer mais um  mês e tal da Caixa a ser notícia por causa disto ou a administração da CGD vai fazer o que tem de fazer, que é entregar e com isso proteger o banco que está a administrar?". Fica a pergunta. E ambos os partidos esperam uma resposta do Governo: que atue em conformidade.

Hoje mesmo, antes destas declarações, o Governo foi pela primeira vez categórico sobre o dever de os gestores da Caixa, incluindo António Domingues, declararem os seus rendimentos ao Tribunal Constitucional. Foi pela voz do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, que em entrevista à TSF e Diário de Notícias disse com todas as letras: "Os gestores da CGD têm de entregar a declaração de rendimentos".

O primeiro-ministro, António Costa, tem remetido a solução deste caso para os próprios administradores e para o Tribunal Constitucional. O Presidente da República acabou por falar do assunto, na semana passada. Marcelo Rebelo de Sousa defende que os visados estão obrigados a fazê-lo. Aí, António Costa não se ter opôs à interpretação do chefe de Estado, mas não foi tão taxativo como hoje foi o seu secretário de Estado.