A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um lucro de 776 milhões de euros em 2019, um aumento de 57% face aos 496 milhões de euros registados em 2018, divulgou esta sexta-feira o banco público.

Segundo um comunicado, a CGD teve um resultado corrente 632 milhões de euros, sem a venda dos bancos de Espanha e da África do Sul.

Em termos de rentabilidade, o banco atingiu um rácio ROE return on equity de 8,1%, destacou o presidente do banco, Paulo Macedo.

A CGD reduziu 575 trabalhadores em 2019, segundo as contas anuais divulgadas pelo banco público.

De acordo com a apresentação das contas do ano passado, o grupo CGD tinha no final de dezembro na atividade em Portugal 7.100 funcionários, o que compara com os 7.675 que tinha em final de 2018.

Esta redução de funcionários está em linha com as afirmações que Paulo Macedo fez ao longo do ano passado sobre as saídas de pessoal previstas no total de 2019 (através de pré-reformas, rescisões por mútuo acordo e não renovação de contratos a termo).

A CGD tem estado num processo de redução de trabalhadores desde que foi recapitalizada e negociou o plano de reestruturação com a Comissão Europeia.

Quanto à rede comercial, a CGD refere nos resultados hoje divulgados que tinha 548 pontos de contacto com os clientes no final de 2019 em Portugal, sendo que este número inclui agências mas também extensões e gabinetes de empresas.

CGD estima entregar cerca de 300 milhões de euros de dividendos ao Estado

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) estima entregar este ano ao Estado cerca de 300 milhões de euros em dividendos relativos às contas de 2019, acima dos 200 milhões relativos a 2018, divulgou esta sexta-feira o presidente do banco.

Em conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2019 (lucro de 776 milhões de euros), em Lisboa, Paulo Macedo disse que, caso a percentagem de dividendos a atribuir ao acionista único da CGD, o Estado, seja idêntica à de 2018, "será um valor de cerca de 300 milhões [de euros]".

Na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), o Governo tinha previsto um total de 705 milhões de euros de dividendos a receber da CGD e do Banco de Portugal em 2020 (relativos aos resultados de 2019), dos quais 237 milhões dizem respeito à Caixa.

"Com estes 300 milhões, a somar com os outros 200 [entregues em 2019, relativos a 2018], devolvemos ao Estado 500 milhões de euros dos 2.500 milhões que foram postos, em dinheiro, na Caixa", disse Paulo Macedo aos jornalistas.

O gestor salientou que atualmente "a única diferença é que antes os dividendos só poderiam ser pagos se o BCE [Banco Central Europeu] autorizasse, e agora os dividendos podem ser pagos desde que apenas valide".

"É bastante diferente em termos de atitude perante os dividendos", destacou o presidente da CGD, que referiu também que o remanescente do processo de entrega do valor depende "do acionista [Estado]", "da análise" que o banco fizer e ainda das "contribuições para as reservas legais" que têm de ser pagas.

Paulo Macedo manifestou também o desejo de "devolver os outros 500 milhões de dívida subordinada do AT1 [emissão de 'additional tier 1', um tipo de capital] que a Caixa teve de contrair a uma taxa de 10,75%".

"Não porque possamos antecipar isto, mas porque podemos dizer que hoje temos uma maior certeza dessa devolução de capitalização, que como sabem não têm nada a ver com os contribuintes, mas não deixou de ser parte da capitalização", referiu.

/ AG