A DBRS - única agência que dá nota positiva a Portugal permitindo ao país que se financie no mercado - ameaçou esta terça-feira cortar o rating da Caixa Geral de Depósitos para o nível lixo, isto é, especulativo. Atualmente, está em BBB (low), o mais baixo da escala de investimento.

O aumento dos riscos decorrentes da governação da Caixa, do plano de recapitalização e também das dificuldades em alcançar uma melhor rentabilidade e qualidade de ativos estão entre as razões que levaram a DBRS a colocar a CGD sob vigilância negativa

Uma notícia que surge numa altura crítica para o banco público, com o adiamento da injeção pública de capital para 2017 e com a demissão do presidente António Domingues e mais seis administradores, que estiveram à frente da Caixa durante apenas três meses.

Ora, a DBRS diz precisamente que a sua avaliação irá "em particular", ter em consideração a "recente demissão da maioria do conselho de administração a 27 de novembro" o que "afetará a reestruturação planeada para o grupo". Isso coloca "novos desafios" para o grupo regressar aos lucros, conseguir reduzir os problemas de qualidade de ativos, as imparidades e melhorar a confiança dos investidores.

Frisa também que, embora a Caixa esteja em processo de recapitalização que "deverá reforçar o balanço", o período em análise "considera os atrasos que estão a ocorrer neste processo e o risco de execução do plano" acordado com a Comissão Europeia. 

Daí que a agência canadiana avise que a capitalização prevista poderá ser insuficiente para o horizonte temporal inicialmente previsto.

A DBRS observa, ainda assim, que os ratings do grupo CGD - sobre as subsidiárias também paira a mesma ameaça de corte - continuam a refletir o facto de ser o banco líder em Portugal, já que o grupo tem uma posição sólida no mercado "de cerca de 22% para empréstimos e 29% para os depósitos de clientes", com uma base de clientes "resiliente".