A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, afirmou esta terça-feira na Web Summit que as viagens de negócios demorarão "dois a três anos a recuperar", antecipando também que os protocolos associados à pandemia "vieram para ficar".

Acho que as viagens de negócios, hoje, ainda não voltaram. Podemos ver isso pelos nossos números. A previsão para a indústria é que demorarão dois a três anos a recuperar", disse Christine Ourmières-Widener no palco 'Corporate Innovation Summit' da Web Summit, evento que decorre entre segunda e quinta-feira na Altice Arena e na FIL, em Lisboa.

A presidente da TAP disse estar "muito otimista" de que "com a evolução da cooperação" com outros setores da economia as viagens possam voltar, adicionando também que, como a realização da Web Summit em formato presencial o demonstra, "no fim de contas as pessoas gostam de se encontrar com outras pessoas".

Estamos saturados com reuniões no Zoom ou no Teams", desabafou, prevendo que o regresso às viagens de negócios ocorra "passo a passo".

A gestora também considerou que os protocolos de viagem implementados durante a pandemia de covid-19 "vieram para ficar", alertando que as empresas terão de investir mais no apoio ao cliente.

Têm sido tempos muito difíceis para os intervenientes [da aviação]. Penso que os protocolos implementados vieram para ficar, porque não iremos mudar estes protocolos mesmo que as pessoas estejam completamente vacinadas", disse .

Para a líder da companhia aérea portuguesa de bandeira, o importante é que "os clientes possam sentir novamente a liberdade", de forma a poderem "voar quando quiserem voar, para onde quiserem voar".

Para tal, a executiva antecipa que o setor da aviação tenha de "investir muito mais" nos serviços aos clientes, pois "a experiência digital da indústria da aviação não é tão suave como poderia ser".

Temos investido em todos os protocolos a bordo para que os nossos clientes se sintam seguros durante as viagens. Isso tem sido um grande investimento, mas agora temos de dar um próximo passo", salientou.

Christine Ourmières-Widener já tinha afirmado que durante a pandemia se registou um "grande aumento do acesso aos canais 'online' na indústria", algo que "tem crescido bastante".

Sabemos que temos de fazer melhor para providenciar esta experiência ponto a ponto", reconheceu a gestora.

A Web Summit decorre entre 1 e 4 de novembro em Lisboa, em modo presencial, depois de a última edição ter sido ‘online’ e a organização espera cerca de 40 mil participantes, segundo revelou, em setembro, Paddy Cosgrave, presidente executivo da cimeira.

A comediante Amy Poehler, o presidente da Microsoft Brad Smith, a comissária europeia Margrethe Vestager e o jogador de futebol Gerard Pique irão juntar-se aos mais de 1.000 oradores, às cerca de 1.250 'startups', 1.500 jornalistas e mais de 700 investidores, numa cimeira na qual serão discutidos temas como tecnologia e sociedade, entre outros, de acordo com a organização.

Apesar do número previsto de visitantes ser este ano cerca de menos 30 mil do que na última edição presencial, em 2019, as autoridades consideram que se trata do "maior evento de 2021" a ter lugar em Lisboa.

/ JGR