O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou esta quinta-feira que o Governo quer atingir o objetivo de uma “ligação rápida” de comboio entre Lisboa e Porto “sem megalomania”, pretendendo estudar fazê-lo “de forma faseada”.

O gestor e consultor do Governo António Costa Silva disse esta semana, na sessão de balanço da consulta pública da "Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030", que existe um "consenso muito alargado" sobre a necessidade de se avançar com a linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto.

Seria de facto uma obra ‘game-changer’. Nós já perdemos muitos anos para conseguir concretizar esse desígnio que é termos uma ligação rápida entre as duas maiores cidades do país”, respondeu aos jornalistas Pedro Nuno Santos, durante a conferência de imprensa do Conselho de Ministros.

Segundo o governante, é preciso “compatibilizar a visão estratégica com a disponibilidade financeira do país e dos programas ao dispor”.

Sem megalomania, mas com objetivos muito bem definidos, nós queremos atingir esse objetivo. Diz-nos a precaução que deveremos estudar a possibilidade de o fazer de forma faseada”, defendeu.

Na mesma conferência de imprensa, o Governo foi ainda questionado pelos jornalistas sobre a remodelação do executivo feita pelo primeiro-ministro, António Costa, e sobre a polémica da comissão de honra da recandidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica, mas a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, escusou-se a fazer qualquer comentário sobre estes dois temas.

Costa Silva, na terça-feira, defendeu que “no caso das infraestruturas físicas, há um consenso muito alargado sobre a necessidade de o país fazer as infraestruturas de que necessita, nomeadamente a rede elétrica ferroviária nacional, a aposta na linha de alta velocidade Lisboa-Porto".

O professor universitário lembrou que no plano inicial apresentado em julho defendia que o projeto de alta velocidade devia ser feito em duas fases, numa primeira fase Porto - Soure, mas depois de ter analisado os contributos que foram entregues durante a discussão pública sublinha que deve ser analisado o benefício de ser feito "de uma vez só".

Os contributos públicos chamaram a atenção para a necessidade de se fazer uma análise custo-benefício que veja se fazer de uma vez só não tem mais rentabilidade e não é mais benéfico", afirmou.

Costa Silva voltou ainda a defender a aposta na "conectividade ibérica" e disse que se o país adotar agora a "bitola europeia", isso implicará "um investimento colossal, quase inquantificável".

/ HCL